A ovelha tinha de ser quase sempre a vítima dos outros animais. Dirigiu-se a Zeus e pediu-lhe para aliviar a sua miséria. Zeus mostrou-se disposto a ajudá-la e disse à ovelha:
- Vendo bem, minha criatura mansa, fiz-te demasiado indefesa. Escolhe então o melhor modo de remediar esta falha. Deverei armar a tua boca com dentes terríveis, e as tuas patas com garras?
- Não — disse a ovelha –, não pretendo ter nada em comum com os animais ferozes.
- Ou então — continuou Zeus –, deverei acrescentar veneno à tua saliva?
- Ah…! — retorquiu a ovelha — As serpentes venenosas são tão odiadas!
- Que devo fazer então? Vou pôr chifres na tua fronte e fortalecer o teu dorso.
- Também não, pai bondoso, poderia passar a marrar tanto quanto o bode.
- E todavia — disse Zeus — tens de ser capaz de fazer mal se queres evitar que os outros to façam.
- Teria de fazer isso! — suspirou a ovelha — Oh, então deixa-me ser como sou, pai bondoso. Pois a capacidade de fazer mal, desperta, temo, o desejo de querer fazer mal; e é melhor sofrer uma injustiça do que causar uma injustiça.
Zeus abraçou a ovelha mansa e a partir de então esta deixou de se lamentar.
Fábulas
Gotthold Lessing[textads]







