Os centros de saúde têm dois meses para vacinar 27.500 jovens contra o papiloma vírus, responsável pelo cancro do colo do útero. A meta da Direcção-Geral da Saúde (DGS) é chegar a Dezembro com metade das 55 mil jovens de 13 anos imunizadas com a primeira dose da vacina.
Cabe a cada centro de saúde decidir como vai gerir o processo, explica o director-geral da Saúde, Francisco George. Caso a procura voluntária não chegue aos níveis esperados, as unidades de saúde podem contactar as mulheres, enviando-lhes postais para comparecerem à vacinação, que é totalmente gratuita.
A Gardasil (a vencedora do concurso público) começa a ser dada amanhã, dia em que a ministra Ana Jorge vai ao centro de saúde de Oeiras para assinalar o início do processo.
Francisco George garante que, mesmo que a procura seja grande desde o primeiro dia, os centros de saúde já têm as doses necessárias para começar a vacinar todas as jovens nascidas em 1995, não sendo esperadas rupturas de abastecimento. Como cada vacina é dada em três doses, é necessário 165 mil nas unidades de saúde para esta primeira fase. No concurso público, foram encomendadas 169 mil doses para o primeiro ano, o que terá um custo de mais de nove milhões de euros (cada dose será adquirida por 55 euros).
Este ano apenas as jovens de 13 anos têm direito à imunização. A partir de 2009, começam a ser vacinadas as mulheres nascidas depois de 1995. também para o ano, quem nasceu a partir de Janeiro de 1992 terá direito a este produto gratuito.
Evitar mais de 300 mortes por ano no país
O cancro do colo do útero é o segundo tipo de cancro mais frequente nas mulheres. Portugal apresenta uma taxa acima da média europeia e regista mais de 300 mortes por ano devido a esta doença, de um total de 958 casos registados. Mas, diz a Direcção-Geral de Saúde (DGS), há outros dados que indiciam valores ainda mais altos. É o caso dos registos dos tratamentos nos hospitais que apontam para “1.000 novos casos todos os anos”.
Os especialistas consideram que há 2.292,5 anos de vida potencialmente perdidos pelo País devido a esta doença. O facto de não existir um programa nacional de rastreio organizado é outro dos problemas que contribui para a elevada taxa de mortalidade – o vírus pode manter-se vários anos sem sintomas e o cancro desenvolve-se lenta e progressivamente por 20 ou mais anos. Por isso, a maior incidência é entre os 45 e os 55 anos.
Pergunta / Resposta
Quem se pode vacinar?
Este ano, todas as jovens de 13 anos, nascidas em 1995. Quem tiver iniciado a vacina por conta própria, pode terminar o processo nos centros de saúde, de forma gratuita. Para o ano, são vacinadas as que nasceram em 1996 e assim sucessivamente. Também a partir de 2009, as autoridades vão recuperar para a vacinação as que nasceram a partir de 1992.
Como é administrada?
Em 3 doses, com intervalos mínimos de um mês entre as 1ª e a 2ª doses e de 3 meses entre as 2ª e a 3ª. É injectada e a jovem deve permanecer meia hora no centro de saúde após receber a vacina.
E com outras vacinas?
Só pode ser administrada em simultâneo com a vacina contra a Hepatite B. Para as outras recomenda-se um intervalo de 4 semanas.
Para que serve?
Como protecção para 4 tipos do papiloma vírus. Este vírus é responsável por 70% dos casos de cancro do colo do útero, mas também provoca o cancro na vagina e ânus e verrugas genitais. Além da vacina, deve fazer-se o despiste através de uma citologia ou papanicolau.
Quando é mais eficaz?
Se for dada antes de as mulheres iniciarem a vida sexual. Não protege contra outras doenças sexualmente transmissíveis.
Fonte: Correio da Manhã – 26/10/2008







