Será que as redes sem fios são prejudiciais para a saúde?

Alguns pais da cidade de Barrie no Ontário (Canadá) estão preocupados com as redes sem fios nas escolas primárias, alegando que elas estão a criar uma vasta gama de sintomas indesejáveis, como dores de cabeça, tonturas, náuseas e aumento da frequência cardíaca.

A página web do Simcoe County Safe School Committee reporta esta preocupação. Segundo o comité, alguns pais notaram que desde há um ano para cá os seus filhos “não são os mesmos”, têm tido “notas mais baixas” e “relacionam-se menos com os amigos”. Além disso, têm recebido dos professores “notas de mau comportamento” dos filhos, situação que há um ano não se verificava.

WiFi.jpgMembros do grupo de pais estão a pressionar as directorias para que desinstalem as redes sem fios nas escolas afectada. Segundo estes, a intensidade das microondas no interior das salas de aula é quatro vezes mais forte do que o valor medido perto de uma torre transmissora para telemóveis. E, tal é a sua convicção, que se prontificaram a pagar os custos da instalação de uma rede com fios, mas a oferta não foi aceite.

Esta história pode parecer-vos familiar; e é! Em Julho do ano passado, um DJ britânico, Steve Miller, foi notícia nos jornais de todo o mundo em face da sua alegação de que era alérgico a redes sem fios.

De acordo com o jornal The Sun, a “sensibilidade electromagnética” de Miller provoca-lhe dores de cabeça e tonturas quando está perto de fontes Wi-Fi: sempre que entra em comboios, aeroportos ou hotéis, fica tonto e agoniado.

John Timmer, da Ars Technica, diz que esta história abstrusa, observando que é um pouco estranho que uma pessoa possa ser alérgica às redes Wi-Fi e ser, aparentemente, imune às outras ondas do espectro eletromagnético, cujas amplitudes de frequência estão perto (senão mesmo, sobrepostas) às ondas Wi-Fi convencionais.

Verdadeiro ou falso, a verdade é que algumas instituições, incluindo a Lakehead University do Canadá, adiaram a instalação de novas redes sem fios, enquanto os efeitos perniciosos sobre a saúde não forem “cientificamente refutados”, ou que se estabeleçam “medidas de protecção adequadas”, segundo estipulado nos Procedimentos Sobre Antenas da Universidade.

Rodney Palmer, um membro do Comité Escola-Segura, não pretende esperar tanto. Ele pretende enviar os seus dois filhos para escolas alternativas – ou dar-lhes aulas em casa – se os esforços do grupo não forem suficientes para a remoção das redes sem fios.

Esta decisão cabe aos conselhos das escolas locais, dado que o Ministério da Educação de Ontário não se quer envolver no assunto.

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