Os cereais são bons, mas…

Segundo um estudo publicado no site inglês BabyNet, muitos dos cereais consumidos ao pequeno almoço pelas crianças contêm mais açúcar do que um donute, enquanto outros são mais salgados do que as batatas fritas.

Pelo menos sete das marcas mais populares estavam carregados com mais açúcar do que um donute comprado em Tesco. Kellogg’s Frostiers era um dos mais prejudiciais, com 11,1 gramas de açúcar numa porção de 30 gramas – quase três colheres de chá por cada tigela. Numa investigação para a Channel 4, verificou-se que os donutes, geralmente considerados menos saudáveis, continham só 8,6 gramas de açúcar.

Os Cookie Crisp da Nestlé, “o cereal que as crianças adoram”, também mostrou ter alto nível de açúcar: 10,59 gramas de açúcar numa dose de 30 gramas. Os Honey Cheerios, os Sugar Puffs, os Honey Loops e os Coco Pops da Kelloggs e o Nesquik, também da Nestlé, publicitado como “irresistível”, também continham mais do que duas colheres de chá (4 gramas) de açúcar por tigela.

É de salientar que estes valores dizem respeito só aos cereais antes de preparada a refeição; assim, não foram analisadas as quantidades de açúcar ou de leite posteriormente adicionados em casa.

Quanto ao sal, o risco para a saúde das crianças é semelhante. Nos Corn Flakes da Kellogs, por exemplo, uma refeição de 30 gramas tem mais sal do que um saco de batatas fritas da Walker. Sal em excesso pode desenvolver pressão arterial alta, ataques cardíacos e outras anomalias.

Uma investigação feita no princípio do ano pela Which?, que faz testes de produtos de consumo, concluiu que a grande maioria dos cereais para o pequeno almoço das crianças são “pobres em nutrientes”. Esta constatação preocupará certamente milhões de pais que dão cereais para o pequeno almoço dos seus filhos, julgando que esta é a maneira mais saudável de começar o dia.

Esta investigação sugere, também, que produtos alimentares supostamente saudáveis contribuem para posteriores crises de obesidade. Embora muitos pais falhem no reconhecimento de que os seus filhos têm excesso de peso, sabe-se que mais de 30% dos jovens tem peso a mais para a idade.

Se a tendência se mantiver, mais de 60% dos jovens terá sobrepeso, ou mesmo obesidade, por volta de 2050. Estes jovens serão presa fácil para uma série de problemas de saúde, tais como diabetes, doenças cardíacas, infertilidade e alguns tipos de cancro.

O Professor Philip James, presidente da International Obesity Task Force, diz que “o índice de obesidade na infância é alarmante no Reino Unido. É um dos piores da Europa”. “E é realmente atroz que tenhamos criado uma sociedade que empurra açúcar pela goela abaixo das crianças, quando nenhum nutricionista ousaria afirmar que é bom para elas”.[textads]

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