Os bebés falam, nós é que não percebemos

Os pais que já têm os filhos criados vão lastimar não terem sabido disto na altura certa. Já os que estão a tentar sobreviver às primeiras semanas de paternidade, vão dar graças à Time Out por lhes revelar que é possível que os bebés com poucas semanas emitam sons com sentido, sons esses que se os pais conseguirem descodificar poderão ajudá-los a perceber quando é que o choro da criancinha é de fome ou de cansaço, por causa das cólicas ou porque do que o bebé precisa mesmo é de arrotar.

bebechora9Não acredita? Então continue a ler. Tudo começou em 1998, quando uma australiana de 24 anos, violinista de profissão, teve o seu primeiro filho. Com uma memória fotográfica para sons fora do normal, Priscilla Dunstan começou, ainda na maternidade, a ouvir os sons do seu bebé de forma especial.

Segundo a violinista, não eram notas estridentes sem nexo, não senhor: elas faziam sentido. Após anos de pesquisa validou o método Dunstan, segundo o qual existe uma ligação entre 5 sons emitidos pelos bebés e 5 necessidades biológicas. A cada som corresponde um descritor fonético: “Neh” significa “fome”, “Owh” é sinónimo de cansaço, “Eh” quer dizer que o bebé precisa de arrotar, “Eairh” que tem cólicas e “Heh” que se sente desconfortável.

Da próxima vez que o seu bebé abrir a goela, arregale o ouvido e escute. Nas primeiras vezes é normal que só consiga identificar o “neh” da fome, mas com o tempo e um pouco de treino conseguirá distinguir os outros sons. Qual a vantagem? Conseguindo identificar a razão do choro da criança, vai encurtar os seus períodos de pranto e contribuir para a preservação da sua sanidade mental enquanto pai.

É precisamente para ajudar os progenitores a entrarem na mesma frequência sonora das suas crias que servem as aulas de linguagem de bebés de Ana Garrancho. “O bebé nasce já com uma linguagem, que dura até aos 3 meses. Cabe aos pais saberem interpretá-la”, explica a única formadora portuguesa a trabalhar o método Dunstan Baby Language. Foi com esse objectivo que Bruno Fonseca e Vitória Nabais, pais de primeira viagem de uma bebé de 2 meses, se inscreveram na primeira aula. “Ela emite, eu é que não a percebo”, desabafa com graça o pai da Francisca.

Na primeira sessão descreve-se o método Dunstan, os pais aprendem as três palavras mais fáceis e assistem a vídeos com dezenas de exemplos dos diferentes sons. Parece uma choradeira pegada mas com um pouco de atenção começam a ser audíveis as diferenças. Na segunda aula estudam-se as duas últimas palavras e trabalham-se técnicas de acalmia dos bebés e conselhos de como amamentar, dar biberão, massajar a barriga do recém-nascido, pô-lo a arrotar ou a adormecer. Ana Garrancho aconselha as aulas o mais cedo possível, nas primeiras semanas de vida do bebé ou quando ele ainda está na barriga da mãe. Faz sentido: quanto mais cedo, menos acessos de desespero por parte dos pais, do género “Já te dei de comer, já te mudei a fralda, já te pus a arrotar, o que é que tu queres mais???”.

No final das sessões os progenitores levam para casa dois DVDs onde podem ouvir em repeat dezenas de bebés de pulmão aberto, a difundir “Nehs”, “Eairhs” e “Owhs”. A ideia é compararem estes sons com o choro do seu rebento e perceberem as semelhanças. Não se assuste se de início lhe pareceu ouvir um “Eh” e nem mesmo depois de pôr o miúdo a arrotar ele se calou. O som do desconforto físico é muito semelhante e pode confundir. Não desista e faça rewind ao DVD. Se isto servir para vencer alguma desconfiança que ainda paire sobre o seu espírito, saiba que Oprah Winfrey já falou sobre a técnica desenvolvida por Priscilla Dunstan num dos seus programas.

Fonte: TimeOut – 03/03/2009

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