Os abusos de menores na América Latina

Um total de 228 meninos e, principalmente, meninas é explorado por hora na América Latina e no Caribe, denunciou hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Nils Kastberg, director regional da Unicef para a América Latina e o Caribe, disse no Panamá por ocasião do Dia Mundial contra o Abuso Infantil que esta data lembra “a inadiável necessidade de garantir o direito de meninas, meninos e adolescentes a gozar plenamente dos seus direitos num âmbito de protecção”.

“É tempo de reconhecer a magnitude deste problema e actuar em consequência”, e, no 3º Congresso Mundial contra a Exploração Sexual de Meninos, Meninas e Adolescentes que será realizado de 25 a 28 deste mês no Brasil, “teremos a oportunidade” de fazê-lo, acrescentou.

No encontro no Brasil, representantes de mais de 150 países, Governos, sociedade civil, organismos internacionais e grupos de adolescentes se reunirão em busca de uma agenda com metas concretas a fim de acabar com esta problemática.

Kastberg disse que a informação colectada de diferentes países da região da América Latina e do Caribe mostra que entre 70% e 80% das vítimas de abuso sexual são meninas, que em metade dos casos os agressores vivem com as vítimas, e, em 75%, são parentes directos. Neste sentido, expressou que “quando o abusador tem as chaves de casa, a sociedade não pode permanecer indiferente”.

“É necessário um movimento de homens que rejeitem esta mal-chamada masculinidade e se transformem em um factor de protecção. As meninas não são brinquedos sexuais dos adultos”, afirmou.

Para o director regional da Unicef, a falta de informação sobre a situação pela qual passam milhões de crianças na região agrava ainda mais a situação, e pediu aos Governos que invistam em sistemas que permitam medir a dimensão desta problemática.

Na América Latina calcula-se que mais de dois milhões de meninos, meninas e adolescentes são explorados sexualmente por ano, segundo a Unicef, que cita dados do Instituto Inter-americano do Menino, da Menina e do Adolescente (IIN) da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Kastberg considerou importante a ajuda financeira às vítimas, já que “são muitas as mães que ainda, perante a certeza de um abuso cometido por seus próprios maridos, decidem calar perante a impossibilidade de sustentar o lar em caso de denunciá-lo”.

No entanto, reconheceu que nos últimos anos houve avanços na região e vários países contam com planos de acção para a erradicação da exploração sexual infantil, dos quais quase todos prevêem penas para a produção de pornografia infantil.

Além disso, cada vez mais países lançam linhas de atendimento telefónico para as vítimas e promovem o compromisso do sector privado do turismo para gerar acções de prevenção, sustentou.

Fonte: Globo – 19/11/2008

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