Hoje em dia esta pergunta não deve trazer qualquer preocupação para os pais, já que utilizar mais a mão esquerda ou a direita não pressupõe nenhuma vantagem adicional, nem necessita de correcção. Mas, além da curiosidade sempre existente, é conveniente detectar a tendência, de modo a podermos ajudar a criança a realizar as actividades com maior facilidade.
Como saber?
A propensão para usar uma das mãos em detrimento da outra não é ingénita (inata), mas sim adquirida. Isto quer dizer que os seres humanos não nascem destros ou canhotos (também chamados esquerdinos), mas desenvolvem a aptidão na primeira infância.
Até aos três anos, as crianças usam indistintamente qualquer das mãos para realizar as suas tarefas quotidianas: comer, apontar, jogar, etc. Algumas crianças com três anos já mostram tendência para usar mais uma das mãos do que a outra. No entanto, de uma maneira geral, só aos quatro ou cinco anos é que essa tendência está claramente definida.
Uma das maneiras de saber qual a mão dominante é oferecer à criança um pequeno brinquedo (ou a colher, se está na hora da refeição) de frente para ela e a uma distância média, e observar com qual das mãos a criança lhe pega. Repetir a operação várias vezes para confirmação.
Se a criança não mostra tendência para uma das mãos, isso pode ser devido a uma das duas razões seguintes:
– É ambidestro. Se o for, vai utilizar ambas as mãos indistintamente ao longo da vida.
– Ainda está em processo de habituação e não se pode determinar fielmente qual a predominância.
É mau ser canhoto?
É importante recordar, como se diz no início, que ser canhoto não é melhor nem pior do que ser destro. Esta condição não influi no desenvolvimento da inteligência, ainda que possa influir em alguns aspectos da aprendizagem e da utilização de artefactos, por razões culturais.
Actualmente, o privilégio é da mão direita, como por exemplo na escrita, o que apresenta algumas dificuldades para os canhotos, já que a mão tapa a escrita. Além disso, alguns utensílios são fabricados para serem usados com a mão direita (facas com gume só de um lado, por exemplo).
Outros inconvenientes, como o uso de tesouras ou blocos de apontamentos, podem ser superados; já existe uma gama variada de utensílios pensados e fabricados para canhotos.
Não é conveniente impedir que um canhoto use naturalmente a sua mão esquerda, nem forçá-lo a utilizar a direita. É preferível facilitar e ajudar o uso dessa mão, do mesmo modo que o faríamos se utilizasse a mão direita. Obrigar uma criança a alterar a sua natureza pode ser prejudicial para o seu desenvolvimento e aprendizagem. E pode, também, inibir o exercício de habilidades e destrezas (palavra ingrata para os canhotos, por reflectir a cultura actual).
É aconselhável que apoiemos a criança no seu desenvolvimento lateral, seja qual for o lado; mas atenção: só devemos intervir para ajudar a criança a desenvolver a sua inclinação, quando esta está manifestamente definida.







