A técnica, descrita na última edição da revista especializada Archives of Disease in Childhood, do British Medical Journal, consiste em fazer com que a criança durma de barriga para cima e inclinada num ângulo de 40 ou 50 graus.
“A regurgitação acontece quando o estômago do bebé está cheio; assim, um pouco dos líquidos estomacais sobe ao esófago. A inclinação proporcionada pelo berço antirregurgitação é ideal para evitar que isso aconteça, sem maior desconforto para o recém nascido”, explica o doutor Yvan Vandenplas, um dos idealizadores do berço.
Os benefícios foram observados num estudo realizado com 25 bebés com idades entre três semanas e três meses que não respondiam aos tratamentos convencionais com medicamentos ou alimentação especial.
Depois de uma semana utilizando o novo berço, 75% deles reduziu o índice de refluxo – percentagem de tempo em que se observa ácido no esófago da criança, calculado pela medição do pH nesse órgão – para 10,1% em média em relação aos 18,6% iniciais.
“Levando em conta o período de desespero entre os pais quando os seus bebés não param de chorar, o berço oferece uma solução muito mais rápida que os tratamentos convencionais: as melhoras começam a ser observadas já no primeiro dia de uso”, diz Vandenplas. Ele diz, entretanto, que o estudo ainda está em fase “preliminar” e o berço ainda precisa de ser avaliado num grupo maior de bebés.
Conforto
Para evitar que o bebê escorregue na cama, o colchão é mais espesso na parte inferior, formando um degrau de apoio para os pés. A criança é posicionada dentro de uma espécie de cadeirinha de tecido acoplada à capa que reveste o colchão e envolvida por um saco de dormir, o que impede qualquer movimento.
Apesar da posição pouco convencional que o berço exige, os pais das crianças observadas pelo estudo avaliaram com nota oito, de uma escala de dez, o nível de conforto proporcionado pelo berço, afirma Serge Vleeschouwer, representante da companhia belga Multicare, responsável pela fabricação.
Na Bélgica, o invento pode ser alugado em algumas farmácias pelo valor de 1,75 euros por dia (cerca de R$ 4,60).
Fonte: BBC – 31/08/2009
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