«Pais e professores devem assumir o papel de educar as crianças para a utilização da Internet, tal como o fazem em relação a comer à mesa ou outras regras sociais», afirmou Edmundo Monteiro, docente da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). Edmundo Monteiro falava à agência Lusa à margem da 4ª Conferência Nacional Sobre Segurança Informática nas Organizações, a decorrer em Coimbra.
Os «filtros» que se podem instalar nos computadores para impedir o acesso a sites de conteúdo violento ou pornográfico, além de serem «pouco aplicados», têm uma eficácia reduzida, na opinião do especialista, que é um dos organizadores da conferência.
«Se não houver o complemento da educação e acompanhamento, por adultos, da exploração da Internet por parte das crianças e jovens, os sistemas informáticos de controlo não chegam» para uma «navegação» segura, alertou.
«Educação não proibitiva»
O docente universitário adverte que barrar o acesso a determinados websites acaba por levar os jovens a «passarem mais tempo noutros conteúdos, como o messenger e o hi5, onde também se expõem a riscos»; daí ser preferível a «educação não proibitiva».
«Aconselho pais e educadores a registarem-se no hi5 e tornarem-se amigos virtuais dos filhos e alunos, não só porque lhes permite interagir com eles de forma diferente da habitual, mas também acompanhar o que andam a fazer na Internet», disse. Edmundo Monteiro defende que a entrada naquela comunidade virtual deve ser feita «de forma clara, com o conhecimento dos próprios jovens».
Quem está do outro lado?
«O hi5 é um site muito interessante onde se fazem amigos, mas tem perigos associados, quando se expõem dados pessoais e fotografias, porque, muitas vezes, não se sabe quem está do outro lado», referiu.
Na opinião de Edmundo Monteiro, a entrada de pais e educadores naquela comunidade virtual tem um «efeito dissuasor, e permite acompanhar a lista de amigos» dos filhos ou alunos. «É muito mau que um adulto não tenha contacto com o mundo virtual, onde crianças e jovens podem fazer tudo o que lhes apetece», observou.
Uma «educação para a Internet construtiva», que aconselhe a não exposição de dados privados e certo tipo de fotografias, que alerte para os cuidados nos contactos com terceiros «deve ser recorrente por parte de pais e educadores», considerou.
O controlo de conteúdos para menores é um dos temas em discussão na 4ª Conferência Nacional sobre Segurança Informática nas Organizações, organizada pela FCTUC.
Fonte: Portugal Diário – 19/11/2008







