Especialistas afirmam que o ideal é dosar as actividades, alternando tarefas que trabalhem os dois hemisférios do cérebro: o esquerdo, responsável pelo pensamento lógico, e o direito, mais criativo e sonhador.
“Para um bom desenvolvimento intelectual e social é importante mesclar actividades que estimulam os dois lados do cérebro, como jogos de lógica ou pintura”, recomenda a coordenadora do curso Daniel Azulay, Vânia Januário.
Ela lembra que, enquanto desenha, por exemplo, a criança trabalha a sensibilidade, a percepção e a intuição, características que podem ser um diferencial no futuro. “Essas habilidades reforçam a auto-estima, fundamental para a vida toda”.
Neurologista da infância e adolescência, Marco António Arruda afirma que os pais devem procurar sempre dosar a tecnologia com a criatividade. “As crianças da era digital encontram-se talvez mais aptas a relacionar-se através de um teclado do que com a fala, o olhar e o toque. É importante desenvolver a linguagem não verbal, reconhecer sentimentos através da face e dos gestos, interagir com diferentes grupos sociais, aprender a escutar, expressar as suas emoções e ser empática. Por outro lado, estudos indicam que as que lidam com computador têm maior concentração e melhores habilidades cognitivas”.
O médico explica ainda que o cérebro é um órgão dinâmico, que deve ser esculpido. “O cérebro não nasce pronto. Precisa ser estimulado e moldado. É como uma cidade com ruas e avenidas. Se não se colocarem carros nas ruas, elas fecham-se. Contar histórias, por exemplo, pode parecer uma actividade meramente lúdica, mas estimula o desenvolvimento de actividades de sequenciação e organização”.
Stress e ausência dos pais: vilões
O stress liberta a hormona cortisol, que provoca a morte das células do hipocampo, área do cérebro responsável pela memória de longo prazo. Portanto, nada de exageros.
“A criança precisa mais dos pais do que de diversas aulas extracurriculares. Talvez seja melhor jogar à bola com ela, cantar, brincar, do que colocá-la em aulas. Claro que se ela quer tocar um instrumento ou fazer algo específico, fará aula. Mas se exigirem muito dela, pode ter transtornos de ansiedade”, diz o psiquiatra Fábio Barbirato.
Fonte: Terra – 28/06/2010







