É desta forma que Gonçalo Amaral – ex-inspector da Polícia Judiciária – responde às últimas declarações de Kate McCann sobre o desenrolar do julgamento acerca da providência cautelar interposta pelo casal contra o livro “A Verdade da Mentira“.
Na última actualização do site “findmadeleine.com”, Kate McCann considerou que “o livro e DVD de Gonçalo Amaral contêm alguma da informação do processo da PJ, mas há muita informação no processo que não consta do livro. Portanto, é altamente selectiva, logo tendenciosa. O livro do dr. Amaral contém as suas opiniões em vez de factos”.
Ora, para o ex-inspector da PJ, que liderou a investigação ao desaparecimento de Madelein, em Maio de 2008, “um livro sobre um processo criminal, tal como um relatório da polícia, um despacho do Ministério Público ou uma sentença de um juiz, é sempre um exercício selectivo, um resumo do processo, sem que por isso seja tendencioso”.
Acrescentando: “Eu não fui tendencioso, tal como não foram tendenciosas as testemunhas da polícia judiciária que depuseram em tribunal.”
Numa das últimas sessões do julgamento que opõe Gonçalo Amaral ao casal McCann, elementos da PJ que estiveram ligados à investigação e o procurador Magalhães Menezes, da comarca de Portimão, admitiram a possibilidade de a criança estar morta – ou seja, posições que vão de encontro à tese de Gonçalo Amaral defendida no livro “A Verdade da Mentira”, cujas vendas estão suspensas por ordem do Tribunal Cível de Lisboa.
Um dos episódios mais marcantes da investigação foram os dois cães ingleses que detectaram o odor a cadáver e a sangue. “Estamos cientes de que o comportamento dos cães foi para a PJ o ponto de viragem na investigação”, diz Kate McCann, recusando, porém, a ideia de que a diligência sirva como prova: “O comportamento dos cães não constitui um facto com relevância criminal e muito menos uma prova”, lê-se no site.
Gonçalo Amaral responde: “Outros indícios constantes do processo e do meu livro foram excluídos da análise de Kate. Ela tem o direito de avaliar à sua maneira os indícios da janela e a prestação dos cães. Mas a PJ também tem o direito de os avaliar, e de os avaliar no conjunto da prova produzida.”
Quanto ao actual processo em curso, o ex-inspector sintetiza-o desta forma: “O colunista Manuel António Pina escreveu que os argumentos dos McCann serviriam para queimar diariamente toda a imprensa. Em democracia os argumentos não se queimam, rebatem-se.”
Fonte: Diário de Notícias – 18/01/2010







