O ministro do Interior israelita e líder do partido ultrarreligioso Shas, Eli Yishai, foi o promotor principal da controversa medida ao considerar que a presença dessas crianças é um “fenómeno que ameaça a totalidade do empreendimento sionista”.
Yishai acrescentou que “há que dizer-lhes adeus, que terminou o passeio. Todos têm que regressar ao seu país” ao mesmo tempo que acusou duramente os pais de usá-los “como escudos humanos”.
A arbitrária disposição foi aprovada em Agosto passado pelo gabinete do primeiro ministro Benjamin Netanyahu e que, em princípio, afectava 1,2 mil filhos de trabalhadores estrangeiros não judeus, procedentes na sua maioria das Filipinas, Tailândia e países da África como Sudão e Egipto.
Depois de várias revisões e apelações à imposição, estabeleceu-se que 400 crianças seriam enviadas de volta aos países de origem de suas famílias, sem importar que os menores tenham nascido em Israel, pois ainda assim não são considerados judeus.
Aos 800 restantes será permitido ficar desde que comprovem o cumprimento de alguns requisitos exigidos pelo governo.
Entretanto, o Ministério do Interior concedeu um período de 30 dias para “dar tempo” a que os menores saiam do país e informou que, uma vez terminado o prazo estipulado, se recorrerá a métodos mais drásticos com a Unidade Oz, braço armado da Polícia de Imigração que tem ordens para usar da força para os expulsar do país.
A polémica decisão tem gerado repulsa da comunidade internacional que começou a exercer pressão para suspender a expulsão de crianças que não têm culpa de Israel não permitir a sua permanência no país e separá-los dos seus pais “por não serem judeus”.
O Movimento comunitário israelita kibbutz, inspirado na sua própria ideologia sionista socialista, anunciou que se uma das crianças seleccionadas para a deportação for tirada de Israel, as demais serão escondidas para impedir que sejam localizadas.
Declararam que “há 280 kibbutzim e mais de 30 mil casas. Estamos a falar de 400 crianças e seus pais, que serão discretamente dispersados entre os lares”.
Seguindo essa mesma iniciativa, os sobreviventes do Holocausto mostraram a sua disposição de ajudar os filhos dos trabalhadores imigrantes de Israel para evitar que sejam injustamente deportados.
Fonte: Brasil de Facto – 08/09/2010







