Desaparecidos: fotos felizes ajudam pouco

A capacidade das pessoas em reconhecer crianças raptadas ou desaparecidas é prejudicada quando elas vêem uma foto de uma criança limpa e sorridente, mas que entra em contacto com a mesma criança com uma aparência muito diferente porque a criança está angustiada, chorando, mal arranjada ou mal vestida. Esta é a descoberta chave de um estudo publicado na revista científica Applied Cognitive Psychology.

Fotos felizes de crianças tristes

Quando uma criança desaparece, a polícia baseia-se frequentemente em fotografias fornecidas pelos seus pais, mas as fotos que eles normalmente fornecem, frequentemente fotos tiradas na escola, podem não ser tão úteis quanto gostariam.

O objectivo desta nova pesquisa foi identificar que tipo de foto tem o maior potencial para ajudar no reconhecimento de uma criança desaparecida.

Foram conduzidas duas experiências para testar a capacidades dos adultos em reconhecer crianças em fotografias. Mais de 150 adultos viram fotos de crianças nas quais elas estavam, ou limpas e alegres, como aparecem tipicamente nas fotos, ou sujas e com aparência cansada, triste ou com raiva. Os resultados do estudo mostram que o reconhecimento é mais elevado quando a aparência real da criança equivale à aparência da foto.

Aparência nas fotos

“A minha questão foi: se você vir uma criança desaparecida junto com o seu sequestrador e se ela estiver suja ou tiver sido abusada fisicamente, você será capaz de reconhecer esta criança tendo-a visto numa foto na qual ela aparece limpa, alegre e sorridente?,” conta o pesquisador Dr. Vicki Gier, da Universidade do Estado do Mississippi.

“Se um adulto olhar para duas fotos de uma criança com aparência similar, ambas ‘limpas’ ou ambas ‘sujas’, o reconhecimento é bom. Entretanto, se o adulto vir duas fotos da mesma criança com aparências diferentes, então o reconhecimento é muito ruim,” diz Gier.

Reconhecimento de crianças desaparecidas

Estas descobertas poderão mostrar-se úteis na procura de crianças que foram sequestradas ou dadas como desaparecidas, já que as fotos tipicamente fornecidas pelos pais e distribuídas à população são fotos de uma criança limpa e sorridente.

Para combater este problema, os pesquisadores sugerem enfaticamente que os pais forneçam os dois tipos de fotos (limpa e suja) no caso de a sua criança ser raptada ou se perder. “Se os dois tipos de expressões faciais forem mostrados ao público e às possíveis testemunhas, a probabilidade de reconhecimento da criança pode aumentar muito,” diz Gier.

Fonte: Diário da Saúde – 19/11/2008

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