Crianças-soldados “nas linhas da frente”

“Sou sargento de primeira classe. Quando estamos na frente não faz sentido matar com balas. A minha força está em matar com facas e corda”.

crianca-soldadeA menina é uma das crianças que aparece no filme “Nas linhas da frente”, de Bukeni Warusi. Uma das 250 mil crianças-soldado no mundo, principalmente na África e na Ásia. Utilizadas para combater ou espiar e como escravas sexuais. São recrutadas à força e condicionadas para a guerra.

O realizador do filme testemunhou que estas crianças eram obrigadas a matar alguns familiares para adquirirem uma espécie de espírito militar e subirem na hierarquia.

Bukeni Warusi está a testemunhar no processo do TPI contra o “senhor da guerra” congolês Thomas Lubanga, acusado de crimes de guerra na República Democrática do Congo (RDCongo) por recrutar crianças-soldado. Lubanga estava à frente de um dos 6 principais grupos activos em Ituri, no nordeste da RDC, em luta pelo controlo das minas de oiro. Foi alegadamente responsável pelo recrutamento desde 2000.

Em 2002 fundou o UPC e integra crianças, menores de 15 anos, da etnia Hema para massacrar os lendu. Os pequenos soldados foram forçados a roubar, a matar, a violar; eles próprios foram vítimas de sevícias. Actuaram sob efeito de drogas, e sofrem de sequelas psicológicas depois das traumáticas experiências. Lubanga ainda está presente na vida de muitos. Jakson foi soldado:

“Se alguém me pedisse para ser soldado outra vez, eu não podia aceitar porque não fui eu que tomei essa situação. Vi a maioria das crianças morrer. Muitos fugiram pela floresta e os que ficavam sofriam represálias. Não, eu não podia aceitar isso”.

A acusação pretende chamar 34 testemunhas, entre as quais crianças-soldado e três peritos.

O recrutamento de menores é condenado pela Convenção de Genebra e pela Convenção dos Direitos da Criança.

Fonte: EuroNews – 27/01/2009

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