Crianças-soldado na RDC

A Amnistia Internacional (AI) denuncia que a cada duas crianças-soldado libertadas na República Democrática do Congo (RDC), outras cinco são capturadas para lutar no conflito de Kivu Norte, província no leste do país africano.
Num relatório divulgado hoje, a AI, com sede em Londres, alerta sobre a incidência das violações e o recrutamento das crianças para a violência, apesar do compromisso assumido pelo Governo e por grupos armados de pôr fim a essas atrocidades.

A AI explica que estão acontecendo vários casos de sequestro e recrutamento de crianças-soldado que já tinham sido desmobilizadas. Segundo a organização humanitária, de todas as crianças libertadas em Kivu Norte por programas de desmobilização, metade voltou a ser recrutada.

Andrew Philip, porta-voz da AI, afirma em comunicado que é precisamente a sua experiência prévia com grupos armados que torna essas crianças recrutas valiosos. “Quanto mais sabem, maior é o risco de voltarem a ser recrutadas. Neste caso, a experiência pode ser fatal”, diz Philip.

Segundo a AI, os que tentam escapar são assassinados ou torturados, às vezes na presença de outras crianças com a intenção de as intimidar. A partir de testemunhas directas, a AI relata como algumas crianças que tentaram fugir foram espancadas até à morte.

Além disso, também foram registados casos de torturas de crianças-soldado por parte do Exército da RDC, que as capturou por serem “lutadoras de grupos armados”.

A AI explica que, à parte do drama das crianças-soldado, em Kivu Norte acontecem “contínuos” abusos sexuais e físicos contra mulheres, crianças e idosos. A organização humanitária afirma que o Exército e os grupos armados continuam a violentar mulheres de todas as idades e crianças. Às vezes, grupos inteiros abusam de uma mesma pessoa, e frequentemente os estupros acontecem em público e diante das famílias das vítimas.

“A situação dos direitos humanos em Kivu Norte é atroz”, denuncia Philip, que pediu a todas as partes do conflito e à comunidade internacional que actuem para evitar violações dos direitos humanos.

Fonte: Último Segundo – 28/09/2008

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