Se você tem um filho com menos de 18 anos que adora passar horas em frente à televisão ou à tela do computador, atenção: o hábito pode estar a prejudicar o sono e até o crescimento da criança ou adolescente, sobretudo se o momento escolhido para o divertimento electrónico for depois das 21h.
Quanto mais tarde for a exposição dos olhos às telas, mais tarde o jovem vai adormecer e pior será este sono – tudo porque a intensidade e a variação das luzes emitidas pelos equipamentos desregulam no corpo a libertação normal de melatonina, a hormona responsável pelo sono.
Na França, um grupo formado pela União Nacional das Associações Familiares (Unaf) e por um instituto de pesquisas e tratamento de problemas de sono, a Rede Morphée, levou o problema a sério e lançou uma campanha nacional nas escolas para esclarecer os pais sobre os efeitos das telas electrónicas nos filhos.
O grupo está a distribuir gratuitamente um DVD explicativo através do qual espera, além de informar professores e alunos, convencer os pais a não mais permitirem que as crianças se conectem após as 19h e os jovens, depois das 20h. A iniciativa é financiada pelo Ministério da Saúde.
Além de o adormecimento atrasado causar a diminuição das horas aconselhadas de sono para essa idade – entre 9 e 10 horas diárias -, a alteração hormonal provocada pelas luzes das telas também ocasiona um sono perturbado, em que os menores não conseguem descansar plenamente.
O resultado será sentido nas salas de aula no dia seguinte: cansados, os estudantes acabam por não prestar atenção aos ensinamentos ou até adormecendo em plena aula.
As telas de computador emitem mais luz do que a televisão; portanto são mais danosas para o sono. Os adolescentes que apreciam os jogos de computador em rede estão ainda mais expostos: além de passarem mais tempo conectados em função do desafio do jogo, para piorar eles têm o costume de proporcionar um ambiente escuro enquanto se divertem, fechando as janelas, e assim transformando as emissões da tela ainda mais luminosas.
“Os pais têm cada vez mais dificuldade em impor limites aos filhos, e ainda por cima dão de presente computador e aparelho de televisão para eles terem nos próprios quartos. Aí sim, o descontrole dos horários de diversão é completo”, adverte Armelle Nouis, membro da Unaf. “Dando-lhes mais informação sobre os prejuízos para a saúde de certas práticas dos próprios filhos, talvez os encorajemos a terem pulso mais firme e os ajudemos a restabelecer a autoridade diante de certas questões que determinam o bem-estar dos jovens.”
Conforme o grupo, 14% das crianças e 17% dos adolescentes teriam problemas de sono em decorrência do uso abusivo e tardio de aparelhos equipados de telas. Essa causa, portanto, responde por metade das reclamações dos menores que sofrem com insónias, que são um total de 34% na França. “Especialmente nas crianças, os problemas de sono acabam por causar muita dificuldade na aprendizagem”, alerta a médica Marie-Jo Challamel.
São os adolescentes que mais preocupam o grupo mobilizado na cidade para reconstituir as horas mínimas de sono para uma pessoa nesta idade. Conforme a Rede Morphée, hoje eles dormem entre 2 e 3 horas a menos do que o indicado.
“Quando eu acabo de jogar, às vezes depois da meia-noite, os meus olhos estão quase sempre vermelhos, mas eu nunca pensei que isso pudesse ser a causa da minha falta de sono. Pelo contrário, até achava que cansando-me no computador, seria mais fácil dormir” diz Arthur, de 16 anos, estudante do colégio Stanislas, um dos mais tradicionais de Paris. Ele conta que logo ao terminar os deveres de casa, fica livre para se divertir como quiser. “Vou tentar não jogar até tão tarde”, promete.
Challamel lembra que este é um problema não apenas de jovens e franceses – muito pelo contrário: está presente em todos os lugares em que os computadores invadiram definitivamente a vida no lar.
As novas tecnologias, aliadas às novas práticas quotidianas, como a compra pela internet, vêm já há alguns anos atrapalhando as noites daqueles que gostam de se conectar, sem que as pessoas percebam a ligação de uma coisa à outra.
Os jovens são mais vulneráveis porque se encontram em fase de crescimento e desenvolvimento do corpo, período em que um sono longo e tranquilo é fundamental. “Espero que a nossa iniciativa possa servir de exemplo para pais do mundo todo.”
Fonte: iParaiba – 25/10/2008







