As crianças-objecto e Cristiano Ronaldo

A declaração de Cristiano Ronaldo de que é pai e as reacções em redor desta notícia revelam que continuamos a considerar as crianças, antes de mais, como bebés-objecto. Bens que pertencem a quem detiver o registo de propriedade e que podem ser trocadas e alienadas a gosto dos adultos.

CR7.jpg Não é uma coisa nova, sobretudo nas classes mais altas em que os pais dispunham da vida dos filhos para com elas fazer ou consolidar alianças, mas é uma coisa triste, incompatível com os direitos das crianças que hoje queremos ver postos em prática. Quer os pais tenham ou não fama e dinheiro.

Num primeiro momento, a notícia deixa qualquer um feliz. Ao assumir o filho recém-nascido, presume-se que de uma relação ocasional, Ronaldo porta-se bem. Não faltam exemplos de homens que recusam a prestar-se ao teste de ADN, quanto mais a acolher a criança. Mas onde começamos a tropeçar é nos “direitos exclusivos” que o pai anuncia, ufano, como se o filho fosse só seu.

Como se fosse bom para alguma criança ser rejeitada ou eventualmente vendida pela mãe, como se fosse um jogador de futebol a quem se comprasse o “passe”. O furor feito à volta desta notícia deixa claro que, para muita gente, ser filho do CR já é mais do que bastante (“E o puto só se for um ingrato é que não agradece!”). Mas ser filho só de um pai, ou só de uma mãe, não chega, e ser capaz de exercer em conjunto os direitos parentais, mesmo quando separados, é o que os bons pais devem aos filhos.

Finalmente, a hipótese da barriga de aluguer. Embora inverosímil, foi propagada com entusiasmo pelos media, como se fosse ético e normal alguém pagar a uma mulher para gerar, dar à luz e ceder uma criança. Como se tivéssemos todos passado a achar que os ricos têm direito a reger-se por leis morais feitas em Hollywood.


Fonte: Destak – 06/07/2010

A jardinagem ajuda ao desenvolvimento das crianças

Ajudar na jardinagem, além de deixar as crianças felizes, contribui para o desenvolvimento de capacidades como a paciência ou o gosto pela resolução de desafios. Os miúdos encorajados a tratar da terra tornam-se adultos mais flexíveis, confiantes e saudáveis. A isso os obrigam os caprichos da natureza, da variação do tempo às doenças que atacam as plantas.

CriaJardim.jpgA conclusão é de um estudo da britânica Real Sociedade Hortícola efectuado junto de 1300 professores e 10 escolas, que defende a jardinagem como uma importante ferramenta a utilizar nas escolas, em vez ficar condenada ao papel actual de actividade extra-curricular.

Estudiosos da Fundação Nacional para a Investigação Educacional descobriram professores que usam a jardinagem como ferramenta de aprendizagem e segundo os quais o contacto com a terra melhora a capacidade de leitura das crianças. Estes docentes dizem, ainda, que a jardinagem encoraja as crianças a serem mais activas na resolução de problemas e ajuda-as na aquisição de competências em termos de literacia e matemática.

“Fundamental para o sucesso das hortas escolares foi a capacidade demonstrada pelos alunos para transformar matérias académicas, por vezes aborrecidas, em assuntos práticos e em verdadeiras experiências”, refere o relatório.

“A natureza imprevisível dos projectos de jardinagem – por causa das variações climáticas e das pragas – obrigou as crianças a serem mais flexíveis e mais capazes de pensar por si na resolução de problemas”, acrescenta a investigação, citada na semana passada pela BBC.

O contacto de crianças pequenas com insectos ajudou-as também a superar medos, enquanto a espera pelo crescimento das culturas incutiu-lhes paciência.

As vantagens não ficam por aqui, e a jardinagem, diz a Real Sociedade Hortícola, também ensina a viver e a comer de forma mais saudável, com as crianças mais motivadas para experimentar novos vegetais caso tenham crescido entre as coisas que plantaram.

“As escolas que integraram as hortas/jardins nos currículos estão a desenvolver crianças muito mais aptas a responder a desafios na vida adulta”, disse Simon Thornton Wood, responsável pelo ensino da ciência daquela instituição britânica, citado pelo site da BBC.


Fonte: Jornal de Notícias – 04/07/2010

Para prevenir a asma: fruta, legumes e vegetais cozinhados

A ingestão de fruta, de peixe e de vegetais cozinhados “está associada a uma diminuição da asma e dos seus sintomas, tanto em crianças dos países ricos, como dos países pobres”. A conclusão consta do “Estudo Internacional de Alergias e Asma em Crianças”, citado no site “Everyday Health”, segundo o qual a ingestão mais frequente destes alimentos contribui para uma menor prevalência da doença ao longo da vida.

Asma.jpg Contrariamente, a ingestão frequente de hambúrgueres relaciona-se com uma prevalência elevada de asma na população infantil. “Três ou mais hambúrgueres por semana são suficientes para elevar o risco de asma e os sintomas da doença nas crianças, particularmente entre a população infantil dos países desenvolvidos”, explicou Gabriela Nagel, do Instituto de Epidemiologia da Universidade de Ulm, na Alemanha, e autora principal do estudo.

“Em definitivo, a dieta mediterrânea protege as crianças da asma, enquanto os hambúrgueres elevam o risco de doença, especialmente entre menores não alérgicos de países ricos”, concluiu a principal autora da investigação. “A relação entre comida de plástico e a asma também pode dever-se ao facto de este tipo de dieta se relacionar com outros hábitos de vida que incrementam a doença e que não existem nos países pobres”.

O peixe, a fruta e os legumes são recomendados na prevenção cardiovascular do cancro, refere o estudo que aconselha a adopção de iniciativas públicas destinadas a promover este tipo de dieta, benéfica para combater a asma infantil, uma das patologias mais frequentes em menores de todo o Mundo.

O estudo, publicado no último número da revista ‘Thorax”, considerou variáveis que podiam alterar os resultados, como a exposição ao fumo do tabaco, ao pó de casa, a antecedentes familiares de asma, dermatite atópica e rinite, assim como a prática de exercício semanal.

A investigação começou há 18 anos, em 20 países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Os novos dados são da fase II do estudo, realizada a partir de uma amostra de 29.579 crianças, com idades entre os 8 e os 12 anos, dos 50 mil inicialmente recrutados. As crianças responderam a questionários sobre a dieta e o aparecimento de asma, rinite e dermatite atópica, fizeram análises sanguíneas alérgicas e genéticas, provas aos brônquios. O pó existente em casa de cada uma das crianças foi também estudado.


Fonte: Jornal de Notícias – 29/06/2010

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