A pesquisa constatou uma queda de 61% nas infecções por gripe entre membros de comunidades agrícolas no Canadá com um índice de vacinação superior a 80% entre crianças e adolescentes de 3 a 15 anos.
O estudo foi publicado esta semana pela revista especializada The Journal of the American Medical Association (Jama). Financiada pelos governos canadiano e americano, a pesquisa ajudou a definir o público-alvo das campanhas de vacinação contra a gripe A nesses países.
Comunidades
Os pesquisadores estudaram o resultado da vacinação de crianças e adolescentes em 49 comunidades hutteritas (grupo protestante que se organiza em cooperativas agrícolas fechadas) no oeste do Canadá.
Crianças de alguns desses grupos receberam a vacina contra a gripe, enquanto outras receberam uma vacina contra hepatite A, usada como controlo. No total, foram comparados 947 crianças e adolescentes vacinados contra a gripe com 2.326 que não tinham sido vacinados.
Nas comunidades onde a vacinação contra a gripe tinha sido feita, o índice de infecção pela doença foi de 4,5%, contra 10,6% nas comunidades onde foi dada a vacina para hepatite A.
Efeito considerável
“O efeito da protecção indirecta de imunizar crianças e adolescentes nos participantes no estudo foi considerável”, disse no estudo o coordenador da pesquisa, Mark Loeb, da Universidade McMaster, no Canadá.
Segundo Loeb, os resultados da pesquisa mostram que os efeitos para os adultos do grupo de imunização de crianças e adolescentes foi semelhante à protecção que seria verificada com a vacinação desses adultos.
O pesquisador destaca ainda que o facto de crianças com menos de 3 anos não terem sido imunizadas no estudo pode ter reduzido a protecção sobre os adultos, que poderia ser ainda maior, caso as crianças menores tivessem recebido a vacina.
“Os nossos resultados oferecem uma prova experimental para apoiar a imunização contra influenza (gripe comum) de crianças em idade escolar para interromper a transmissão da influenza“, explica Loeb.
“Particularmente, se há restrições nas quantidades e na distribuição da vacina, pode ser vantajoso vacinar selectivamente crianças para reduzir a transmissão da influenza na comunidade”, conclui o pesquisador.
Fonte: Estadão – 10/03/2010
