No fim de 2008, 42 milhões de pessoas encontravam-se em fuga, por todo o mundo. Segundo informações do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, quase metade deste número refere-se a crianças.
A presença de menores na Europa sem a tutela dos pais ou responsável legal vem aumentando nos últimos dez anos e, hoje, constitui uma grave preocupação de instituições sociais. Não existem estatísticas confiáveis sobre o assunto, e os números fornecidos pelas organizações humanitárias são apenas aproximados.
Os MINA “constituem um colectivo altamente desconhecido, sobre o qual não sabemos nem a característica principal: sua extensão”, admitiram em 2006 os autores de um estudo da Universidade Complutense de Madrid.
Cerca de mil solicitações de asilo pelos MINA são processadas anualmente na Alemanha, revelou Marei Pelzer, assessora jurídica da organização humanitária alemã Pro Asyl. Estes menores imigrantes chegam à Europa por meio de traficantes e pessoas com claros interesses comerciais, mas, noutras ocasiões, também são ajudados por organizações humanitárias, contou Andreas Meissner, assessor para crianças refugiadas e em conflitos armados, da organização humanitária Terre des Hommes Alemanha.
Quem são os MINAS?
Trata-se, em sua maioria, de jovens entre 14 e 18 anos, geralmente do sexo masculino. Na Alemanha, a maior parte é procedente da África, Oriente Médio, da região do Cáucaso ou do Sudeste Asiático. Os seus principais países de origem são: Guiné, Eritreia, Etiópia, Palestina, Líbano, Chechénia, Bangladesh, Índia, Afeganistão e Iraque. Em Espanha, os refugiados chegam, por exemplo, da África Subsaariana e, mais recentemente, do Leste europeu.
Muitos são acolhidos em centros para refugiados adultos, onde “são submetidos a provas médicas para determinar a sua idade aproximada, por não possuírem credibilidade nem portarem documentos”. Essa é uma forma de prevenção contra aqueles que mentem para desfrutar de vantagens legais. “Existem diversos casos em que menores são identificados com idade superior a 18 anos e, em consequência, devem permanecer entre adultos”, complementou o assessor da Terre des Hommes Alemanha.
Às organizações de defesa dos direitos infantis, o processo de solicitação de asilo para crianças recém-chegadas parece inadequado. Isso porque, para conseguir asilo, elas devem submeter-se a encontros mediados por tradutores, no qual ficam frente a um estranho que lhes pergunta sobre experiências geralmente traumáticas. “Muitos jovens descreveram-me repetidamente que se sentiram melhor num interrogatório do que numa entrevista”, assegurou Meissner. Esse tipo de entrevista é feito para descobrir incoerências que permitam negar o asilo ao menor.
Direitos na Alemanha
Na ratificação da Convenção Internacional dos Direitos da Crianças, de 1992, a coligação entre democratas-cristãos e liberais, liderada por Helmut Kohl, reservou-se o direito de diferenciação no trato a crianças alemãs e estrangeiras. Os jovens estrangeiros refugiados sem tutela são tratados como adultos a partir dos 16 anos, dois anos antes do que os nacionais. Como consequência, são responsáveis por solicitar asilo por conta própria, sem conselheiro ou tutor, adverte Marei Pelzer, da Pro Asyl.
“Cada criança que chega aqui, não importa se é perseguida, se fugiu ou foi enviada por motivos económicos, deve ser tratada primeiro como criança ou adolescente, e só depois como estrangeiro, refugiado ou possível asilado”, exigiu Meissner.
O debate em torno da ratificação da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança não foi resolvido nem pelos democratas-cristãos/liberais sob Kohl, nem pelos sociais-democratas/verdes de Gerhard Schröder, nem pela “grande coligação” de democratas-cristãos e sociais-democratas, no primeiro mandato de Angela Merkel, observou o assessor da Terre des Hommes.
Os activistas interpretaram como sinal positivo o facto de o actual governo (democrata-cristão/liberal) incluir a eliminação da “reserva” relativa à idade como um dos objectivos do seu contrato de coligação. “Pressionaremos o governo para que o faça imediatamente, pois a Alemanha está a violar os direitos das crianças”, denunciaram Meissner e Pelzer à Deutsche Welle.
Fonte: Deutsche Welle – 25/02/2010
