As crianças estão a ser substituídas por robots

Muitos casais britânicos em todo o Reino Unido estão cansados de ter filhos “de carne e osso” – muita responsabilidade, muita despesa e muita confusão. Em vez disso, optam por ter filhos robóticos, tal como no filme A.I. – Artificial Intelligence de Steven Spielberg.

InteligArtific.jpg Ian Chadsworth e a sua esposa, Fiona, foram os primeiros a comprar uma criança robótica. Fiona, que está na casa dos 40, disse: “Eu pensei em engravidar, mas concluí que davam muito trabalho. Quando soube que podia adoptar uma criança robot fiquei emocionada”. Fiona deu o nome de Becks ao seu “filho” (o mesmo nome do pai dela, que foi jogador de futebol).

A tecnologia de Becks é tão avançada que ele é capaz de dizer piadas e manter os seus pais humanos a par das últimas notícias. “Já não preciso de internet”, diz Ian, o pai robótico. “Becks compila as informações que necessito”.

Becks move-se sobre rodas por toda a casa, utilizando um mapa interno da mesma, mas também pode seguir os pais deambulando por ela. Sabe fazer a sua própria cama e limpar o seu próprio quarto, mas também é capaz de cozinhar e atender a todas as necessidades domésticas dos seus pais. “Ele é o filho perfeito, lá isso é!”, disse Fiona.

Quando lhe perguntaram se o “filho” ia à escola, Ian disse que Becks já está programado com todas as ciências e pode executar procedimentos avançados de medicina, se necessário. Esta é uma notícia animadora para Ian, porque ele come muita carne e bebe muita cerveja todos os dias. “É bom saber que se eu um dia tiver um colapso, Becks está capacitado para pedir ajuda e proceder, se necessário, a uma intervenção cirúrgica no coração”

As crianças robóticas custam cerca de 5.000 libras esterlinas (€ 6.000). São fáceis de manter, nunca refilam e são sempre bem comportadas. Há quem se preocupe e se insurja contra as crianças robóticas, advogando que são frias e desumanas. Entretanto, a indústria diz que elas são programadas para amar os seus pais e mostrar o seu amor diariamente. “Nós programámos o Becks para me dizer que me ama de hora a hora. É maravilhoso saber que o seu filho o aprecia”, diz Fiona.

O príncipe Charles disse que a Família Real está a estudar a compra de uma criança robótica. “Eu antevejo o dia em que um robot será rei da Inglaterra.”

A eficácia das SSRIs no combate ao autismo

Embora os antidepressivos sejam vulgarmente receitados às pessoas com autismo, são limitadas as evidências de que este procedimento beneficie os adultos. Quanto às crianças com esta desordem, não existe nenhum estudo que garanta que estes medicamentos sejam eficazes.

a_autismo.jpg A análise, relatada na Cochrane Database of Systematic Reviews, vem reforçar as dúvidas sobre a aplicação no autismo de antidepressivos conhecidos como inibidores selectivos da recaptação da serotonina (SSRI – selective serotonin reuptake inhibitor).

No ano passado, um estudo financiado pelo governo dos EUA constatou que a SSRI citalopram (Celexa), tinha um mero efeito placebo na melhoria dos comportamentos repetitivos em crianças com autismo. Na época, os especialistas manifestaram surpresa com a falta de benefícios do Celexa, e disseram que os resultados mostram a necessidade de comparar os testes feitos com antidepressivos com os resultados registados na aplicação de um placebo nestas crianças.

Assim, os investigadores confrontaram os resultados obtidos no estudo Celexa com os dados recolhidos em seis ensaios clínicos, de dimensão muito menor, registados na literatura médica.

Em geral, eles não encontraram nenhuma evidência de que os SSRI fossem melhores do que os placebos para melhorar os comportamentos repetitivos ou outros sintomas em crianças com autismo. E só havia evidências limitadas de dois pequenos estudos clínicos que mostraram melhorias em alguns aspectos, como ansiedade, depressão e outros, mas em adultos autistas.

De acordo com os pesquisadores, liderados pelo Dr. Katrina Williams, um pediatra da Universidade de New South Wales e Sydney Children’s Hospital (Austrália), não há uma base sólida que sustente a recomendação do uso rotineiro de SSRIs no tratamento de autismo. Por outro lado, os pesquisadores também não recomendam que se pare o tratamento das pessoas com autismo que já estão a ser medicadas com SSRIs.

Actualmente, não existem medicamentos específicos aprovados para o tratamento de distúrbios do espectro autista (ASDs – autism spectrum disorders), um grupo de transtornos de desenvolvimento que dificultam a capacidade das pessoas de se comunicar e construir relacionamentos. As condições variam de casos graves de autismo clássico até à relativamente branda síndrome de Asperger.

Terapias comportamentais e educacionais que visam o social, o desenvolvimento e os problemas de comunicação são a base do tratamento do autismo. Mas as SSRIs são muitas vezes prescritas para ajudar em alguns sintomas; estima-se que até 40% das crianças com autismo têm sido tratadas com antidepressivos. Nos EUA, foram aprovados três SSRIs para crianças com mais de sete anos: sertraline (Zoloft), fluoxetine (Prozac) and fluvoxamine (Luvox).

Uma das razões para o uso de SSRIs em ASDs é que as drogas podem ser eficazes contra a ansiedade e o transtorno obsessivo-compulsivo, condições cujas características são semelhantes a alguns comportamentos observados no autismo. Por exemplo, comportamentos repetitivos – como a repetição de determinadas palavras ou acções, ou um comportamento obsessivamente rotineiro – são características principais do autismo.

Além disso, os SSRIs aumentam os níveis de serotonina cerebral. Segundo o Dr. Williams, atribui-se à serotonina a capacidade de alterar o sono, o humor, a agressividade e outros processos cerebrais, cujas alterações são frequentemente verificadas no autismo. Mas foram poucos os ensaios clínicos para testar a eficácia no tratamento do autismo em crianças e adultos. Williams e os seus colegas encontraram apenas sete pequenos ensaios clínicos de curto prazo, nos quais foram aleatoriamente aplicadas SSRIs e placebos para comparação.

O estudo Celexa, o maior de todos, incluía 149 crianças com ASDs, que foram administradas com SSRIs ou com um placebo durante três meses. Em cada grupo, aproximadamente um terço das crianças mostraram melhorias nos comportamentos repetitivos durante o período de estudo, sem nenhuma vantagem do antidepressivo. Nenhum dos outros estudos, sendo o maior feito com 39 crianças, teve duração superior a três meses.

De uma maneira geral, os cinco estudos que se centraram sobre crianças e adolescentes não mostraram benefícios no tratamento por SSRIs, de acordo com os pesquisadores; os ensaios testaram os medicamentos fluoxetina, fluvoxamina, e, nos dois estudos mais antigos, fenfluramina – um medicamento que já foi retirado do mercado nos EUA.

Dois dos estudos, um com fluoxetina e outro com fluvoxamina, incluíram adultos. Nestes ensaios clínicos notou-se alguma eficácia nos pacientes que tomaram SSRIs no que diz respeito a comportamentos obsessivos, ansiedade, depressão e agressividade, em comparação com os que foram administrados com placebo. No entanto, os estudos foram pouco abrangentes (6 e 30 participantes) e de curta duração (8 a 12 semanas).

Além disso, os SSRIs podem ter efeitos secundários, e as preocupações sobre estes efeitos são maiores em crianças e adolescentes. No estudo com citalopram, uma das crianças desenvolveu sintomas de apreensão que obrigaram a hospitalização, e continuou a ter crises depois de ter parado de tomar citalopram. As crianças que tomavam este medicamento apresentaram maiores níveis de comportamento compulsivo, problemas de sono e dificuldades de concentração, do que as que tomavam o placebo de controlo.

Quanto a efeitos secundários, segundo a equipa de Williams, não foram verificados nas crianças que tomara Prozac; nas que tomaram Luvox, as informações recolhidas foram escassas.

Dada a falta de eficácia e o potencial de efeitos secundários, os SSRIs não são recomendados para crianças com autismo, dizem os pesquisadores. No caso dos adultos, Williams informa que há “informação preliminar que sugere eficácia” no alívio da depressão, da ansiedade, do comportamento obsessivo-compulsivo e da agressão”. A decisão de receitar um SSRI a um adulto com autismo deve ser feita caso a caso, de acordo com Williams. Assim, existirão pessoas com autismo cujo tratamento com SSRIs esteja a ser benéfico.

Williams conclui que “as crianças e os adultos que estejam a ser medicados com SSRIs (ou outro antidepressivo), apresentem melhoras nos sintomas para os quais foram prescritos e não existam efeitos secundários, eles devem continuar com a medicação”.

De acordo com Williams, são necessários maiores e bem conduzidos testes com SSRIs no tratamento do autismo, incluindo ensaios com SSRIs que ainda não foram postos à prova em ensaios clínicos, mas que estão a ser prescritos a pessoas com autismo, como são os casos de sertralina e paroxetina (Paxil). Estes estudos servirão para os investigadores descobrirem se certos subgrupos de pessoas com autismo respondem melhor do que outros aos SSRIs.

O carinho da mãe é importante para toda a vida

Um estudo feito nos Estados Unidos indica que pessoas que recebem carinho em abundância das suas mães quando bebés são mais capazes de lidar com as pressões da vida adulta.

CarinhoMae.jpg A pesquisa, divulgada pela publicação científica Journal of Epidemiology and Community Health, foi feita com 482 moradores do Estado americano de Rhode Island (nordeste do país) que foram avaliados quando crianças e na vida adulta.

Os cientistas disseram que os abraços, beijos e declarações de afecto da mãe aparentemente têm efeito de longo prazo e tendem a gerar um vínculo sólido com o bebé, contribuindo para a saúde emocional das pessoas.

Segundo os pesquisadores, o vínculo sólido entre mãe e bebé não diminui apenas o stress da criança como também a ajuda a desenvolver recursos que a auxiliarão nas suas interações sociais e na vida de maneira geral.

Interacção

Como parte do estudo, psicólogos avaliaram a qualidade das interacções entre as mães e os seus bebés de oito meses durante uma consulta de rotina.

O psicólogo analisou quão bem a mãe respondia às emoções e necessidades da criança, atribuindo uma “nota de afeição” à mãe baseada nas características da interacção.

Do total de 482 casos, 10% das mães apresentou níveis baixos de afeição em relação ao bebé.

A maioria (85%, ou 409 mães) demonstrou níveis normais de afeição, e 6% (27) mostraram níveis bastante altos.

Trinta anos mais tarde, os pesquisadores entraram em contacto com as crianças, agora adultos, e convidaram-nas a participar numa pesquisa sobre o seu bem-estar e emoções.

Eles preencheram questionários que incluíam perguntas sobre sintomas específicos, como ansiedade e hostilidade, e também sobre níveis gerais de stress.

Também foi perguntado aos participantes se eles achavam que as suas mães lhes tinham dado afecto, com respostas variando entre “concordo plenamente” e “discordo plenamente”.

Ao analisar os dados, os pesquisadores verificaram que as crianças cujas mães se mostraram mais afectuosas aos oito meses de idade apresentavam os menores índices de ansiedade, hostilidade e perturbação geral.

Houve mais de sete pontos de diferença nos índices de ansiedade entre os participantes cujas mães tinham mostrado níveis baixos ou normais de afectividade e aqueles cujas mães mostraram níveis altos de afectividade.

A equipa de pesquisadores concluiu que as crianças que receberam grandes doses de afeição das mães revelaram-se mais capazes de lidar com todos os tipos de stress.

Em particular, participantes cujas mães eram calorosas pareceram lidar melhor com a ansiedade do que os que tinham mães frias.

“É surpreendente que uma observação rápida do calor maternal na infância esteja associada a perturbações nos filhos 30 anos mais tarde”, disseram os autores do estudo.

A equipa acrescenta, no entanto, que a influência de outros factores, como personalidade, criação e escolaridade, não pode ser excluída.

Sintonia

Especialistas ressaltam, no entanto, que é importante saber quando parar: o excesso de afecto maternal, especialmente se a criança já está mais crescida, pode ser perturbador e embaraçoso para ela.

A psicóloga e escritora Terri Apter, da faculdade Newnham College, na cidade de Cambridge (Inglaterra), estudou os efeitos dos relacionamentos entre mãe e criança e disse que é importante que a mãe seja receptiva ao bebé, além de lhe dar afecto.

“Os bebés não nasceram sabendo como regular as suas emoções. Eles aprendem ao ficar stressados e a ser acalmados.” “E uma mãe receptiva vai perceber as pistas e saber quando a criança já recebeu o suficiente”.

Ou seja, vai saber não apenas quando dar carinho e quando parar, concluiu Apter.


Fonte: Estadão – 28/07/2010

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