Uma nova abordagem no tratamento das crianças com HIV

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anuncia uma nova abordagem para tratamento de crianças portadoras do vírus HIV, responsável pela Sida, e pede maior acesso ao diagnóstico infantil, a partir de 4 a 6 semanas após o nascimento. Sem o diagnóstico seguido do início imediato do tratamento, a OMS estima que um terço dos bebés infectados irão morrer antes do primeiro ano de vida, e metade antes de completarem dois anos de idade.

Sida.jpgA OMS afirmou, nesta terça-feira, que um maior número de crianças portadoras do HIV em todo o mundo está a receber tratamento: no ano passado, foram 355 mil crianças em comparação com as 276 mil de 2008. Segundo o organismo da ONU, o resultado é encorajador, mas é preciso fazer mais para promover uma vida saudável para esses bebés e crianças. As novas recomendações da OMS dizem que mais vidas poderiam ser salvas, se os medicamentos fossem introduzidos mais cedo.

Poucas crianças com idade inferior a um ano iniciam o tratamento para o HIV, em parte porque os testes necessários para esse grupo não estão disponíveis. Por isso, a OMS pede maior acesso ao diagnóstico infantil, logo a partir de um mês a um mês e meio de vida.

Cerca de 400 mil bebés são infectados, todos os anos, como resultado da transmissão vertical de mãe para filho. Para reduzir os riscos, a OMS também recomenda que as portadoras de HIV recebam antiretrovirais durante a gravidez, no parto e durante o período de amamentação.

De acordo com o organismo da ONU, existem evidências que comprovam que o tratamento precoce é mais eficaz e pode eliminar quase todas as transmissões verticais.


Fonte: Rádio Vaticano – 21/07/2010

Pesquisadores americanos suspeitam que o colesterol alto nas crianças diminui ao longo do tempo

Níveis muito elevados de colesterol em crianças podem diminuir ao longo do tempo, mesmo sem intervenção de medicamentos, segundo pesquisadores do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Colesterol.jpg Os resultados reacendem um debate sobre as consequências do colesterol alto em crianças, e se as drogas de controlo são apropriadas quando mudanças na dieta e actividades físicas não se mostrem suficientes.

Essas drogas, que incluem as estatinas, são usadas em adultos para reduzir o risco de doenças cardíacas, uma das maiores causas de morte nos países ocidentais. Mas não está claro se elas também valem para as crianças.

O novo estudo, publicado na revista Pediatrics, mostra que, depois de alguns anos, algumas crianças com colesterol alto deixam de ser indicadas para tratamento com remédios.

Enquanto essa suspeita não for comprovada – para que o tratamento medicamentoso seja abandonado completamente -, os médicos não devem deixar de prescrever remédios para o colesterol em crianças, alertam os pesquisadores.

“Tanto em crianças quanto em adultos há um pouco de variabilidade nos índices ao longo do tempo”, disse David S. Freedman, do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças. “Pessoas com níveis muito elevados de colesterol tendem a ser aquelas que terão mau colesterol”.

“Meu trabalho enfatiza que, provavelmente, serão necessárias pelo menos duas ou três medições para examinar crianças que estão apenas tendo um dia ruim”, acrescentou.

Os pesquisadores analisaram níveis de colesterol alterados ao longo do tempo num grupo de mais de 6.800 crianças de Bogalusa, Louisiana. As crianças foram testadas cinco vezes, em média, e cerca de metade delas também tinha feito medições como as de adultos.

Níveis iniciais de LDL (o “mau” colesterol) acabaram por mostrar-se fortemente ligados a níveis posteriores, mesmo depois de 20 anos. Mas, com o passar do tempo, as diferenças nos níveis de colesterol entre as crianças tenderam a diminuir, com níveis muito altos caindo e os baixos, subindo. Os pesquisadores disseram que as mudanças podem não ter tido nada a ver com a dieta ou alterações de exercícios, embora não possam afirmar com certeza.

As maiores quedas foram observadas em crianças que inicialmente tinham o colesterol muito alto, levando-as a uma média que, posteriormente, não necessitava de mais medicamentos.

Desde 2008, a Academia Americana de Pediatria recomenda que o tratamento medicamentoso seja considerada nos casos em que o colesterol LDL no sangue é de pelo menos 190 miligramas por decilitro (mg/dL). Se um pai ou avô tem doença de coração ou colesterol alto, o limiar é de 160 mg/DL.

Depois de quatro anos, os níveis de colesterol caíram abaixo do limiar em 60% dos casos em que crianças tinham índices acima do limite.

A questão fundamental, entretanto, é o que fazer com essas crianças que têm colesterol alto. Como disse o Michael L. LeFevre, da Universidade do Missouri, em Columbia, “infelizmente não há nenhuma evidência de que receitar medicamento a uma criança de 10 anos possa impedir uma doença cardíaca 40 anos depois”.


Fonte: Estadão – 19/07/2010

O Jogo em Crianças com Transtorno do Espectro Autista

Após seis anos de investigação, Ana Saldanha conseguiu criar um instrumento único que permite avaliar a capacidade de jogo das crianças com autismo. A descoberta valeu-lhe nota máxima com distinção e torna-a a única portuguesa doutorada em Educação Especial.

Autismo2.jpg Aos 30 anos, a maioria dos quais agarrados a livros, Ana ostenta um sorriso rasgado e não esconde o orgulho do trabalho realizado. Ontem, segunda-feira, na Universidade da Extremadura, pólo de Badajoz, defendeu durante cinco horas a tese “O Jogo em Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA): Desenvolvimento de um Instrumento de Avaliação”.

“Este é o fruto de alguns anos de investigação na área do Autismo” assegura Ana, revelando que a tese “surge pela carência de métodos/provas de Avaliação do Jogo Simbólico em Crianças Autistas”. A investigadora acredita e provou que “as crianças com autismo têm capacidade de jogo” apesar de “alguns autores discordarem”.

“Tanto para as crianças com incapacidade como os que não contam com ela, têm direito ao jogo e ao acesso aos brinquedos” explica Ana, admitindo que “os primeiros encontram sérias dificuldades para poder usar muitos dos jogos e brinquedos do mercado”.

Para a recém doutorada, o jogo “permite desenvolver a própria capacidade física e mental, sendo uma fonte de auto afirmação, satisfação e prazer”. O jogar “significa ser activo e preparar-se para a vida adulta”, afiança.

Depois do trabalho desenvolvido com 45 crianças espanholas, o novo instrumento de avaliação de Ana Saldanha permitiu demonstrar que “as crianças com TEA têm capacidade para poder desenvolver o jogo simbólico”, e ainda “comprovar que nesse jogo podem identificar-se dimensões que fazem referência a diferentes habilidades intelectuais específicas”.

A investigadora lembra que “o autismo é uma síndrome que ultimamente tem tido um maior enfoque de investigação”, devido ao facto de “actualmente, surgir nas escolas e nos centros educativos uma quantidade considerável de crianças com esta perturbação”. Mesmo assim, realça “deparamo-nos no dia-a-dia com uma grande dúvida no diagnóstico diferencial, entre autismo e nomeadamente o atraso mental”.

Durante a investigação, dividida entre Portugal e o país que escolheu para estudar, Espanha, Ana percebeu de imediato as grandes diferenças existentes. “Em Espanha trabalha-se em equipa. Os médicos, pediatras, psicólogos e outros especialistas trabalham em conjunto em prol da pessoa e isso não se vê em Portugal”, realça, assegurando que no caso do autismo “é importantíssimo este tipo de união entre todos”.

Defendendo que “a intervenção precoce é fundamental para o futuro das crianças com autismo”, Ana assegura que uma pessoa com autismo “pode ter qualidade de vida e até trabalhar”, basta para isso que “seja ajudada e estimulada”. Reforçando a necessidade de distinguir “autismo de doença mental”, a investigadora acredita que o instrumento de trabalho que desenvolveu permitirá dar mais felicidade aos autistas.


Fonte: Jornal de Notícias – 13/07/2010

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