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Unicef está a investigar a associação que se preparava para levar crianças órfãs para os Estados Unidos para adopção e que na quinta-feira pediu apoio à equipa portuguesa da ajuda humanitária instalada no Haiti, escreve a
Lusa.
Elementos da associação Brent Gambern Ministeries Helping pediram quinta-feira ao coordenador da equipa de ajuda humanitária portuguesa, Elísio Oliveira, se podiam usar as instalações no aeroporto de Port-au-Prince. O comandante da Protecção Civil, Elísio Oliveira, aceitou o pedido mas seguiu de imediato para a base da Unicef em Port-au-Prince para lançar o alerta.
«Não há controlo»
O aumento do tráfico de crianças haitianas preocupa o representante da Unicef no Haiti, Guido Cornale, que lembra que «neste momento, não há qualquer controlo e tudo pode acontecer».
Em declarações à Lusa, Guido Cornale disse que o tráfico de crianças é neste momento uma das maiores preocupações da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). «Temos denúncias de situações», disse, não querendo adiantar detalhes.
O caos nos hospitais sobre-lotados de Port-au-Prince, onde entram e saem diariamente centenas de pessoas sem qualquer controlo, pode ser um cenário atractivo para raptos.
É fácil tirar crianças
«Neste momento é fácil tirar uma criança de um hospital sem que ninguém se aperceba», sublinhou o representante da Unicef.
Nas ruas da cidade e nos acampamentos que foram montados após o terramoto, milhares de crianças passeiam sozinhas sem qualquer controlo. Situações que agravam um problema que não é de agora.
«No Haiti, sempre houve um problema de tráfico de crianças que era feito habitualmente por terra. Aqui na ilha, levavam-nas para a República Dominicana», disse à Lusa outra responsável da Unicef, que pediu para não ser identificada.
O drama dos órfãos
Soube-se, entretanto, que os EUA estão a trabalhar com as Nações Unidas e com o governo do Haiti para acompanhar a situação das crianças, especialmente os órfãos, que se encontram em situação dramática, afirmou Janet Napolitano.
«Há, tragicamente, muitas crianças, de todas as idades, separadas das suas famílias, que já não as tinham ou que as perderam», disse a secretária de Segurança Nacional norte-americana, questionada pela Lusa.
«Temos que gerir esta questão de forma correcta. Estamos a trabalhar com as Nações Unidas e com o governo do Haiti para tomar medidas adequadas sobre as crianças. E haverá muitas tragicamente», afirmou em Toledo (Espanha).
Fonte: TVI 24 – 22/01/2010
Cerca de 150 milhões de raparigas e 73 milhões de rapazes menores de idade são todos os anos vítimas de exploração e violência sexual no Mundo, segundo um relatório divulgado esta terça-feira pelo Comité Alemão da
Unicef, em Berlim.
O relatório do Comité Alemão para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), apresentado esta terça-feira em Berlim, Alemanha, pelo actor Roger Moore, embaixador de boa vontade daquela organização, estima que milhares de crianças sejam vendidas anualmente para o estrangeiro para fins sexuais.
Acresce que milhões de raparigas e rapazes menores de idade são “anualmente vítimas de violência sexual na escola, área de residência, local de trabalho e prisões”, adianta o documento.
Segundo estimativas da Unicef, apenas na Ásia um milhão de crianças é explorado para fins sexuais todos os anos, entre 60 e 100 mil crianças são vítimas do comércio sexual nas Filipinas, mais de 15 mil crianças prostituem-se diariamente nas regiões turísticas do Quénia e mais de trinta mil na África do Sul (metade das quais menores de 14 anos).
Dados de um estudo das Nações Unidas sobre a violência contra crianças, citados no relatório da Unicef, apontam que 1,8 milhões de crianças em todo o Mundo são anualmente obrigadas à prostituição e à pornografia, enquanto 1,2 milhões de menores são vendidos como mercadorias, principalmente para exploração sexual.
O relatório do Comité Alemão da Unicef lamenta que, nos últimos anos, o tráfico de crianças, a exploração sexual de menores e a pornografia infantil se tenham tornado em mercados com lucros exorbitantes.
A Articulação Internacional contra Prostituição, Pornografia e Tráfico de Crianças e Adolescentes (ECPAT, na sigla em inglês) estima que o lucro anual da prostituição e pornografia infantil ronde 12 mil milhões de dólares (cerca de 8,3 milhões de euros), uma actividade altamente rentável que vem logo a seguir ao tráfico internacional de armas ou drogas.
Quanto à pornografia infantil, o relatório da Unicef na Alemanha lembra que, em 2003, as estimativas do Governo alemão apontavam para que “mais de três milhões de imagens estivessem acessíveis na web”, um número que terá aumentado com a maior utilização da Internet, que tem vindo a ajudar a proliferação deste tipo de material pornográfico.
O relatório refere ainda que, segundo a organização internacional ‘Innocence in Danger’ (Inocência em Perigo), existam mais de 50 mil consumidores regulares de pornografia infantil na Alemanha.
Fonte: Açoriano Oriental – 02/06/2009
“Child Locator” ou serviço “Localizz” são exemplos de “calmantes tecnológicos” usados pelos pais. Psicólogo alerta para “falta de tempo conjunto” entre pais e filhos
A utilização de sistemas de localização de crianças por GPS deve ser feita “de forma responsável.” Segundo o psicólogo Francisco Machado, “esta tecnologia pode funcionar como uma segurança extra, mas não deve substituir determinado tipo de rotinas de autonomia que devem ser dadas às crianças, nomeadamente a responsabilidade de dizer aos pais onde estão, a responsabilidade de cumprir horários e de usar percursos conhecidos.”
Concebido exclusivamente com tecnologia portuguesa, o dispositivo de localização de crianças “Child Locator” está no mercado desde Novembro e vendeu, até agora, 300 exemplares. Além de sistemas com GPS, há também serviços disponibilizados pelos operadores móveis como é o caso do “Localizz” da TMN. O JPN contactou a referida operadora e conseguiu apurar que “actualmente, este serviço da TMN está essencialmente focalizado nos pais ou encarregados de educação.”
Na opinião de Francisco Machado, a idade da criança é um aspecto fundamental a ter em conta na utilização de sistemas de localização por GPS. “É um método interessante para as crianças mais novas e acho que poderá ser bastante benéfico, mas, na minha opinião, fará mais sentido em idades precoces”, defende o psicólogo.
“Dificilmente um adolescente irá achar piada a que seja exercida uma forma intensa de controlo sobre si”, acrescenta Francisco Machado.
Segurança pode ser “ilusória”
Em entrevista ao JPN, Francisco Machado defende que “os pais têm de ter a noção de que a falta de segurança faz parte da função de pai, ou seja, não é por haver uma máquina que lhes diz 24 horas sob 24 horas onde estão os filhos que vai fazer com que eles estejam mais seguros.” O psicólogo alerta, assim, para a possibilidade de as crianças “deixarem o transmissor na mochila dentro da escola, indo a outro sítio sem os pais saberem.”
Os dispositivos e outros sistemas de localização surgem como adaptações das necessidades dos pais à dinâmica dos seus dias. “A falta de tempo conjunto de pais e filhos, principalmente nas famílias em que ambos os pais trabalham, leva a que reste pouco tempo para se trabalharem questões de confiança que só conseguem ser trabalhadas através de partilha de experiências”, esclarece Francisco Machado. Os localizadores funcionam, segundo o psicólogo, como “um calmante tecnológico” para os pais.
Sistemas de localização dividem pais e avós
Carolina Carvalho, de 71 anos, tem dois filhos e três netos. Concorda com a utilização de dispositivos de localização de crianças e afirma que, na altura em que educou os filhos não havia este tipo de instrumentos. “Não havia nada disso. Quando os ingleses vinham cá, às vezes, traziam as crianças numa espécie de trela. Eu via isso e achava um bocado estranho, mas depois comecei a compreender que era uma forma de controlar o miúdos e achei muito bem”, confessa.
Contrariamente, Mariana Azevedo, de 22 anos, foi mãe há sete meses e assegura que “não usaria o sistema de localização com a Leonor, aliás, jamais o usaria.” A jovem acredita que este tipo de tecnologia pode tornar-se um “obstáculo à liberdade das crianças.” “Penso que tudo passa pela criação de uma relação de confiança entre pais e filhos, dando-lhes conta dos perigos do mundo e da necessidade de haver regras. Não basta impô-las”, defende Mariana Azevedo.
Ilda Andrade é professora na escola EB 2,3 de Freixianda e afirma não ter conhecimento de nenhuma criança que utilize dispositivos com GPS. Ainda não tem filhos, mas não descarta a utilização desta tecnologia um dia mais tarde, “acima de tudo por uma questão de segurança.”
Fonte: JPN – 16/04/2009