Mais casos de pedofilia na Igreja

Padres alemães são acusados de ter espancado e abusado sexualmente de garotos há décadas, em pelo menos três instituições da Bavária, região no sul do país onde nasceu o papa Bento XVI. Uma delas é um famoso coro que já foi liderado pelo irmão do actual pontífice.

As denúncias dos abusos vieram à tona após casos ocorridos em escolas jesuítas de outras regiões chocarem a Alemanha, no mês passado. Os abusos foram registados no coro da catedral de Ratisbona, na escola do monastério beneditino de Ettal e numa escola de capuchinhos em Burghausen.

O reverendo Georg Ratzinger, de 86 anos, irmão do papa e que liderou o coro de 1964 a 1994, disse a uma rádio local que não tinha conhecimento dos abusos. O grupo costuma apresentar-se por toda a Alemanha e noutros países.

A diocese de Ratisbona — onde o papa ensinou teologia na universidade de 1969 a 1977 — afirmou que não há casos actuais de abusos e que deve investigar as acusações de ocorrências passadas. Segundo a diocese, um padre abusou sexualmente de duas crianças em 1958 e foi condenado a dois anos de prisão. Outro clérigo cumpriu pena de 11 meses em 1971. Ambos já falecidos.

Três homens dizem ter sofrido com abusos sexuais, espancamentos e humilhações no início dos anos 1960, quando estudavam no colégio interno ligado ao coro. A diocese diz que está a investigar as ocorrências e que mais detalhes podem ser revelados.

Espancamentos

Em Ettal, Thomas Pfister, um advogado que investiga as acusações na escola do monastério, afirma que centenas de meninos foram espancados e alguns sofreram com abusos sexuais décadas atrás. “Houve muitos casos extremos de má conduta, que normalmente teriam sido punidos com longas sentenças de prisão”, disse. “Um manto de silêncio foi jogado sobre as acusações.” Segundo o advogado, um monge, já falecido, cometeu “uma série de assédios e abusos sexuais contra crianças pequenas e outras mais velhas”.

O reverendo Johannes Bauer, actual tesoureiro do monastério, admitiu ter batido em alunos quando foi professor na escola, de 1985 a 1987. “Para minha vergonha, devo dizer que eu abusei fisicamente de crianças, de maneira brutal, e também as humilhei”, afirmou. “Sinto muito e peço perdão do fundo do meu coração.” O monastério pediu ajuda ao Vaticano para tomar uma “nova direcção espiritual”. A Santa Sé diz que vai mandar um inspector ao local.

A ordem dos capuchinhos reconheceu que um ex-director da escola de Burghausen abusou sexualmente de meninos em 1984 e 1985. Os casos foram investigados em 1991, mas a única providência tomada foi a transferência do religioso. Só foi suspenso este mês.

Fonte: Vermelho – 06/03/2010

Bento XVI lamenta que também haja pedofilia na Igreja

O papa Bento XVI lamentou nesta segunda-feira, durante a Assembleia Geral do Conselho Pontifício para a Família, que também na Igreja os direitos das crianças sejam violados.

“A Igreja, com o passar dos séculos, seguindo o exemplo de Cristo, promove a garantia da dignidade e dos direitos dos menores e os atende de muitas formas”, afirmou o Papa.

“Infelizmente, em muitas ocasiões, alguns membros, contradizendo os seus compromissos, violaram esses direitos: um comportamento que a Igreja não deixou nem deixará de denunciar e condenar”, enfatizou.

As palavras do pontífice foram pronunciadas no fim da Convenção Internacional dos Direitos da Criança, adoptada em 1989 e em vigor desde 1990.

Bento XVI, que reiterou na semana passada a oposição da Igreja Católica às leis a favor dos homossexuais, assegurou no seu discurso que “a família, fundamentada no matrimónio entre um homem e uma mulher, é a maior ajuda que se pode oferecer às crianças”.

Bento XVI convocou o episcopado irlandês, acusado de encobrir abusos sexuais contra crianças feitos por padres católicos, para os dias 15 e 16 de Fevereiro no Vaticano.

Vários escândalos com sacerdotes pedófilos apareceram nos últimos anos em diversos países, inclusivamente nos Estados Unidos, onde em 2002 foi descoberto que entre 4 e 5 mil sacerdotes abusaram sexualmente de 14 mil crianças e adolescentes durante décadas.

O Papa deve entregar aos bispos irlandeses uma Carta Pastoral, parecida com a que foi entregue à Igreja norte-americana em 2002, após o grave escândalo de abusos sexuais no país.

Nela, Bento XVI indicará “claramente as medidas que serão tomadas” devido à grave situação, segundo adianta a imprensa italiana. A carta deverá ser lida aos católicos irlandeses na quarta-feira de cinzas, no dia 17 de Fevereiro.

Em Dezembro, o papa Bento XVI aceitou a renúncia de quatro bispos irlandeses acusados de encobrirem o caso.

Em Novembro um estudo elaborado por uma comissão presidida pela juíza Yvonne Murphy, após três anos de investigações, concluiu que os responsáveis pela arquidiocese de Dublin protegeram os autores dos abusos e não os denunciaram à polícia durante mais de três décadas.

Fonte: Globo – 08/02/2010

Pedofilia: diferenças entre patologia e crime

Na sua origem grega, a palavra pedofilia significa “amar ou gostar de crianças”, sem nenhum significado patológico. De acordo com estudiosos, o termo pedófilo surge como adjectivo no final do século 19, em referência à atracção de adultos por crianças ou à prática efectiva de sexo com meninos ou meninas.

Actualmente, o termo é usado de forma corrente para qualquer referência a acto sexual com crianças e adolescentes, desde a fantasia e o desejo escondido até à exploração comercial, passando pela pornografia infantil e a realização de programas com crianças e adolescentes. O assédio, a pornografia, o abuso, o programa e a exploração comercial estão tipificados na legislação penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O uso comum, no entanto, confunde crime com doença.

Não se pode, por exemplo, fazer uma lei contra a cleptomania (o impulso doentio de roubar), mas a lei prevê punições para roubos e furtos. Da mesma forma, não é possível punir a pedofilia (o desejo); porém, a lei estabelece pena para a prática de violência sexual, explica o director-presidente da SaferNet Brasil (organização não governamental que desenvolve pesquisas e acções de combate à pornografia infantil na internet), Thiago Tavares.

A coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Leila Paiva, destaca que a pedofilia deve ser vista como uma doença, um problema na área de saúde. “Não significa que o pedófilo seja criminoso.”

“Confunde-se muito o crime de abuso sexual com a pedofilia. A pedofilia é um diagnóstico clínico, não é um diagnóstico de actos criminosos. O sujeito pode ser um pedófilo e nunca chegar a encostar a mão numa criança”, detalha a psicóloga Karen Michel Esber.

Ex-coordenadora do Programa de Atendimento ao Autor de Violência à Sexualidade de Goiânia, a psicóloga chama a atenção para o risco de confusão no senso comum. “Da mesma forma que é possível que um pedófilo não pratique qualquer abuso sexual, os que ecfetivamente cometeram abuso sexual podem não se enquadrar no diagnóstico da pedofilia.”

Para Maria Luiza Moura Oliveira, psicóloga social do mesmo programa, há uma “pedofilização” dos abusos cometidos contra menores. “O abusador sexual não é necessariamente pedófilo. A doença não traduz toda a relação de violação de direitos contra as crianças. A pedofilia é um pedaço da história. Acontece independentemente de ter pedofilia ou não.”

A historiadora e socióloga Adriana Miranda, que participou durante mais de dois anos num projecto de pesquisa e extensão da Universidade Federal de Roraima (UFRR) sobre violência sexual contra crianças e adolescentes, lembra que a pessoa que se diz pedófila em julgamento pode fazer isso como estratégia de defesa. “Isso, no entanto, não impede que a pessoa tenha que ser punida.”

O secretário executivo do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Benedito Rodrigues dos Santos, também tem essa preocupação. “Há uma tendência em transformar todos os casos de pedofilia em doença mental. Eu quero alertar para o perigo disso. Muitos são conscientes e muitos têm problema. É preciso distinguir uma coisa da outra na hora de estabelecer a responsabilização.”

Para a médica psiquiatra Lia Rodrigues Lopes, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), mesmo que a pedofilia seja considerada doença, há entendimento de que o problema não impede que “a pessoa tenha discernimento quanto ao certo e ao errado e que, portanto, possa tomar medidas para prevenir esse comportamento”.

Entenda a diferença

Pedofilia
Consta na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) e diz respeito aos transtornos de personalidade causados pela preferência sexual por crianças e adolescentes. O pedófilo não pratica necessariamente o acto de abusar sexualmente de meninos ou meninas. O Código Penal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não prevêem redução de pena ou da gravidade do delito se for comprovado que o abusador é pedófilo.

Violência Sexual
A violência sexual praticada contra crianças e adolescentes é uma violação dos direitos sexuais porque abusa e/ou explora do corpo e da sexualidade de garotas e garotos. Ela pode ocorrer de duas formas: abuso sexual e exploração sexual (turismo sexual, pornografia, tráfico e prostituição).

Abuso sexual
Nem todo o pedófilo é abusador, nem todo o abusador é pedófilo. Abusador é quem comete a violência sexual, independentemente de qualquer transtorno de personalidade, aproveitando-se da relação familiar (pais, padrastos, primos, etc.), de proximidade social (vizinhos, professores, religiosos etc.), ou da vantagem etária e económica.

Exploração sexual
É a forma de crime sexual contra crianças e adolescentes conseguido por meio de pagamento ou troca. A exploração sexual pode envolver, além do próprio agressor, o aliciador, intermediário que se beneficia comercialmente do abuso. A exploração sexual pode acontecer de quatro formas: em redes de prostituição, de tráfico de pessoas, pornografia e turismo sexual.

Fonte: CNEVSCCA – 05/02/2010

ONU divulga lista de recomendações para protecção de crianças online

A preocupação com os jovens que navegam sozinhos na Internet levou as Nações Unidas a divulgar hoje uma lista de recomendações para protecção das crianças online. Paralelamente, foi revelado um estudo de um grupo de investigadores em Taiwan que diz que os mais pequenos têm maior probabilidade de ficarem viciados na Internet.

As recomendações, destinadas aos políticos e indústrias do sector, pais e educadores e às próprias crianças, foram apresentadas pela União Internacional das Telecomunicações (UIT), um organismo das Nações Unidas, no âmbito da feira de telecomunicações que decorre em Genebra, na Suíça.

A lista vai poder ser consultada na Internet e será actualizada anualmente, para acompanhar as alterações verificadas no sector.

A UIT pede aos jovens que tenham cuidado nos seus encontros virtuais e que filtrem bem os convites que recebem. Segundo um relatório de Setembro das Nações Unidas, haverá mais de 750 mil predadores sexuais permanentemente online.

“É preciso fazer com que as crianças compreendam que aquilo que elas vêem não é aquilo que parece”, explicou a propósito Dieter Carstensen, um responsável da organização Save The Children, citado pela Lusa.

No mesmo sentido vão as declarações da directora da organização Child Helpline International, que presta ajuda telefónica a jovens de 160 países: “para muitos jovens há uma linha ténue, ou não há linha nenhuma, entre o mundo real e o mundo virtual”, afirma Nenita Larose.

A UIT estima que o número de pessoas que acede à Internet tenha passado dos 200 milhões em 1998 para 1,5 mil milhões em 2009. A democratização do acesso à Internet leva a que cada vez mais crianças, e cada vez mais novas, naveguem na Internet.

Os especialistas pedem acompanhamento e supervisão para evitar dissabores, mas pode não ser suficiente quando – como mostra a análise realizada no Hospital Médico Universitário Kaohsiung, em Taiwan – as crianças já tiverem propensão para desenvolver determinado tipo de comportamentos compulsivos mais frequentes em pessoas mais novas.

O grupo de investigadores liderado pelo psicólogo Chih-Hung Ko monitorizou, durante dois anos, a utilização da Internet por 2.300 crianças de 11 anos. De seis em seis meses era pedido aos participantes que preenchessem um formulário, onde indicavam o número de horas que passavam online.

Segundo a pesquisa, publicada na revista Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, os jovens que apresentem sintomas como défice de atenção e hiperactividade correm um risco 72% superior à média de desenvolver uma obsessão pela Internet. Aqueles que apresentam sentimentos de hostilidade apresentam um aumento na ordem dos 62% do risco de desenvolverem comportamentos de dependência.

A depressão e a fobia social também são características comuns nos jovens que potenciam o risco de ficarem “viciados” na rede, sendo estes traços mais comuns entre as raparigas.

Fonte: SapoTek – 08/10/2009

A Igreja o e Menino

Escrito por: paralaxe Fotos, Pedofilia, Vídeos Jul 21, 2009
A diocese de Dublin confirmou que cerca de 450 menores podem ter sido vítimas de abusos sexuais em centro educativos católicos na Irlanda desde 1940.

Os nomes das vítimas e dos religiosos supostamente implicados nos maus-tratos foram registados num novo relatório elaborado pela Comissão de Investigação de Abusos contra Menores da Arquidiocese de Dublin, presidida pela juíza Yvone Murphy.

O documento foi entregue ao ministro da Justiça irlandês, Dermot Ahern, que afirmou que não será de acesso público até que discuta com o Ministério se a sua divulgação poderá afectar os processos judiciais que se mantêm abertos contra vários clérigos referidos no texto.

Dos 15 sacerdotes identificados no relatório, 11 já tinham sido condenados por abusos sexuais a menores, enquanto outros quatro estão a ser julgados nos tribunais e um deles declarou-se culpado.

A publicação deste documento seguir-se-á à do já conhecido ‘Relatório Ryan’, que em Maio passado revelou que milhares de menores foram objecto de abusos sexuais, físicos e psicológicos, durante mais de 60 anos em instituições estatais geridas pela Igreja católica irlandesa.

Fonte: Correio da Manhã – 21/07/2009

Diferença entre pedófilo e consumidor de pornografia infantil

Escrito por: paralaxe Fotos, Pedofilia, Vídeos Jul 20, 2009
Um estudo realizado em Zurique analisa a relação entre consumo de pornografia infantil e subsequentes actos de violência sexual com conctato físico e chega a um resultado surpreendente.

Segundo os autores, o consumo de pornografia infantil por si só parece não representar risco para cometer delitos de violência sexual. Eles advertem, porém, que isso não deve levar a banalizar esse tipo de crime.

A base do estudo foi formada por 231 homens investigados em 2002 pela polícia suíça, na chamada “Operação Génesis”, acusados de consumo de material pornográfico ilegal via internet. Foram analisadas também as fichas criminais dessas pessoas em 2008.

A equipa dos pesquisadores Frank Urbaniok, Jérôme Endrass e Astrid Rossegger, do Serviço Psiquiátrico-Psicológico (PPD, sigla em alemão) do estado de Zurique queria saber se esses consumidores de pornografia infantil tenderam a cometer crimes sexuais com contacto corporal, como exploração ou abuso sexual, ao longo dos seis anos.

O estudo apontou os seguintes resultados: antes da “Operação Génesis”, 4,8% (11 pessoas) da amostra estudada tinham sido condenados por crime sexual e/ou violento; 1% (2 pessoas) por crime sexual com contacto físico, envolvendo abuso sexual infantil; 3,3% (8 pessoas) por crime sexual sem contacto físico, e 1 por crime não sexual violento.

“Aplicando-se uma definição ampla de reincidência, que inclui investigações em curso, acusações e condenações, 6% (14 pessoas) reincidiram ao longo dos seis anos em crimes sexuais e/ou violentos. Nove pessoas (3,9%) foram investigadas, acusadas ou condenadas por posse de material pornográfico ilegal. Duas pessoas (0,8%) foram investigadas, acusadas ou condenadas por abuso sexual contra crianças”, lê-se no estudo.

A conclusão dos autores é a seguinte: “Entre as pessoas do presente estudo, apenas 1% eram conhecidas por terem cometido no passado um crime sexual com contacto físico, e apenas 1% foram acusadas (nenhuma condenada) por crime sexual com contacto físico nos seis anos subsequentes. O consumo de pornografia infantil por si só na presente amostra parece não representar um factor de risco para cometer delitos sexuais com contacto físico – pelo menos quando se trata de indivíduos sem prévias condenações por delitos sexuais com contacto físico.”

Explicações

“O estudo mostra que os consumidores de pornografia infantil não podem ser confundidos com pedófilos que abusam de crianças, como ocorre frequentemente na opinião pública e nos media“, disse Urbaniok à agência de notícias SDA/ATS. “Trata-se de um grupo específico de criminosos”.

Segundo ele, a taxa de crimes sexuais com contacto físico anterior a 2002 verificada no grupo de 231 homens analisados é superior à da população suíça. E o susto de uma detenção ou busca domiciliária aparentemente impediu um ou outro de cometer um crime posteriormente.

Segundo Urbaniok, se assistir à pornografia infantil tivesse um efeito de peso, o resultado teria sido bem diferente. Segundo ele, as taxas médias de reincidência de condenados por crimes sexuais são de 10% a 12% e chegam a superar os 50% em determinados grupos de criminosos.

Jérôme Endrass sublinhou que os resultados do estudo não significam que a pornografia infantil seja um crime sem vítimas. “Claro que há vítimas. Consumir pornografia infantil não é apenas um delito relativamente leve, houve um crime muito grave por trás da produção do material”, disse ele à Swissinfo.

Segundo Coletti Marti, especialista da Fundação Suíça de Protecção à Infância, “a afirmação de que nem todos os consumidores de pornografia infantil praticam actos sexuais com crianças provavelmente está correta. Mas não é possível avaliar isso com base nos registos criminais, porque no máximo 10% das pessoas denunciadas por actos sexuais com crianças são condenadas”.

Perfil dos criminosos

Os autores admitem que a pesquisa não é representativa para a população suíça, mas revelam que o grupo analisado está “bem integrado na sociedade suíça”, ao contrário do que frequentemente se pensa desse tipo de criminosos.

Segundo a análise sócio-demográfica feita no estudo, na época do crime, a média de idade dos acusados era de 36 anos, 58% eram solteiros, 25% tinham filhos e 94% suíços (apenas 6% estrangeiros, enquanto 31% da população do cantão de Zurique era de imigrantes).

Em 45% de 226 casos, as pessoas trabalhavam em posições que exigiam formação de nível superior. Apenas 5% tinham um emprego de baixa qualificação. Cerca de um terço (32%) trabalhavam na área de computação e engenharia, 26% tinha empregos de “colarinho azul” e 33% trabalhavam na indústria. Quase metade da amostra usava computador no local de trabalho.

“Em resumo, os nossos resultados sugerem que os consumidores de pornografia infantil estão provavelmente bem integrados na sociedade suíça, sendo que a maioria dos indivíduos tinha um trabalho que exige extensa formação e eram cidadãos suíços”, conclui o estudo.

Os pesquisadores também apontam os limites do estudo. “A população estudada pode ser considerada tendenciosa, já que os consumidores precisavam de um cartão de crédito e de conhecimentos suficientes de uma língua estrangeira (inglês), a fim de ter acesso ao material pornográfico. Isto poderia explicar a elevada proporção com alto nível de formação e indicar que a amostra investigada provavelmente não seja representativa para os consumidores de pornografia ilegal na Suíça.”

Segundo Urbaniok, o estudo indica que a repressão e intervenção praticadas hoje pela Justiça e pela polícia contra a pornografia infantil dá resultados. Foram raros os casos de homens investigados na “Operação Génesis” que voltaram a ser condenados por crimes sexuais sem contacto físico – como, por exemplo, consumo de pornografia infantil ou exibicionismo.

Fonte: Swissinfo – 20/07/2009

Não deixe o perigo entrar em sua casa

Escrito por: paralaxe Fotos, Pedofilia, Segurança, Vídeos Jul 8, 2009
Matilde – chamemos-lhe assim – tem 14 anos. Há duas semanas encontraram-na no areal da praia de Leça da Palmeira, abandonada, muitíssimo assustada, o corpo marcado com violência. Um homem descarregou-a ali, depois de a violar. E ela pensava que aquele seria um dia feliz, a tarde em que conheceria o miúdo por quem se apaixonara na Net, com quem falava horas perdidas no Messenger, a quem mandava emails em catadupa. Ele dizia que era um rapaz ainda novo. Mais velho que ela é certo, já com carta de condução mas ainda assim um puto, e ela acreditou. Ele dizia que iam só ao café olhar um para o outro e ela acreditou, orgulhosa por ele vir do Sul até Matosinhos para conhecê-la.

Marcaram o encontro para 19 de Junho, uma sexta-feira, no Porto, perto do bairro social onde Matilde mora com os pais. Do que se passou a seguir sabe-se pouco. À menina, aluna do secundário, custa falar das voltas de carro com aquele homem adulto, dos abusos sexuais em vários locais isolados, das agressões que inviabilizaram a fuga. Com o cair da noite chegou a preocupação dos pais, a filha que tardava, o telemóvel sempre mudo. Quando já nada justificava a demora, foram à esquadra reportar o desaparecimento.

Matilde foi encontrada no areal de Leça. A história monossilábica que relatou foi, mais tarde, confirmada pelo Instituto de Medicina Legal do Porto – ficou provada a violação – e pelos muitos emails trocados, que os pais encontraram no computador da filha e que entregaram à brigada que investiga abusos sexuais na Invicta. Até ontem (3 de Julho), o predador ainda não tinha sido detido.

A história de Matilde não é única – é só a mais recente. Este ano, a Polícia Judiciária (PJ) já contabiliza meia dúzia de casos semelhantes, casos de rapazes e raparigas menores, que se enamoraram na Internet por abusadores sexuais, que aí marcaram encontros e que acabaram violentados no mundo real. Em 2008 foram oito os casos que resultaram em violação, mais cinco de exposição íntima perante uma webcam. “Mas os números pecam por defeito. Há cifras negras e a tendência é para aumentar. A maioria dos casos não chega à polícia”, explica o inspector-chefe Camilo de Oliveira, responsável pela investigação de crimes sexuais na directoria do Centro da PJ. “E não é só por vergonha que os miúdos se calam. Têm medo que os pais lhes cortem a Internet e lhes tirem o telemóvel”.

Se se falar ‘apenas’ de assédio sexual de menores online – sem abuso físico, mas com referências explícitas a sexo, troca de fotos e vídeos com nudez, simulações de actos sexuais e exibições através de webcam – as cifras nacionais estimadas pela PJ sobem para 30 mil vítimas por dia, entre os 10 e os 15 anos. São 5% das crianças portuguesas nessa faixa etária. Percebe-se melhor o perigo quando o Instituto Nacional de Estatística atesta que 96,6% dos menores entre os 10 e os 15 anos utilizam o computador, 83% têm PC em casa e 92,7% acedem à Internet. Acrescente-se os dados da rede social Hi5, a mais usada em Portugal: 50% dos utilizadores têm entre 8 e 13 anos. Ou o facto de proliferarem na Net páginas que explicam como desbloquear o programa de controlo parental do computador “Magalhães”.

Parques infantis virtuais

“Para os predadores as redes sociais da Internet são os parques infantis deste século, onde crianças brincam sem supervisão dos pais. E podem escolher as vítimas que preferem. Se querem loiras, de olhos azuis são essas que contactam. São verdadeiros catálogos”, acrescenta o inspector. Nos EUA, o FBI cruzou a base de dados de abusadores condenados com a lista de utilizadores do MySpace e encontrou 90 mil correspondências. “Potencialmente, todos os predadores portugueses estarão nas redes sociais. Quem tem acesso à Net anda lá, garanto-lhe, e tem de ser muito inábil para não conseguir ‘apanhar’ nenhum menor”, diz Camilo de Oliveira.

Na maioria dos casos, não há abuso físico. Os predadores satisfazem-se à distância. Através da Internet, ‘entram’ nos quartos onde a maioria das crianças usa o computador, à porta fechada. O aliciamento é fácil e rápido. Do paleio simples passa-se às perguntas sobre sexo. Liga-se a webcam. Mais umas conversas e a criança manda fotos íntimas. Do outro lado pode vir depois a chantagem. “Despe-te para a webcam, senão mando as fotos aos teus colegas. Simula, senão ponho os vídeos no Youtube”. Bastam uns dias para um adolescente ficar refém das fantasias de um predador ou ver a sua intimidade à escala da World Wide Web – em 2008, a PJ investigou 160 casos de pornografia de menores, 26,3% relativos às novas tecnologias.

A universalidade da Internet obriga à cooperação internacional. Os operadores das redes e chats, estão maioritariamente nos EUA. Os pedidos ao Hi5 são recorrentes. “E nem sempre é fácil ou rápido aceder aos registos”, explica o inspector-chefe Jorge Duque, que investiga crimes de alta tecnologia na PJ. A partir de 5 de Agosto as operadoras são obrigadas a reter os dados de tráfego durante um ano. “Ajuda, claro. Mas a nossa maior ajuda são os miúdos. Devem pedir contactos, emails, pormenores, guardar imagens que recebem e apontar o endereço do servidor (IP) com data e hora. Só assim localizamos o agressor”.

Fonte: Expresso – 08/07/2009

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