Ensine os seus filhos a gostar de frutas e legumes

Hoje, os pais têm uma consciência maior sobre a importância de nutrientes para a saúde dos filhos do que há 30 anos, e muitos deles têm adoptado uma filosofia que procura alimentos naturais e sentem-se gratificados oferecendo aos seus filhos refeições sem aditivos e ‘engrossantes’.

É sempre seguro seguir as preferências dos pediatras, mas também os instintos maternos “farejam” o que os seus filhos precisam e quais as suas necessidades; se seguidos frequentemente, ampliam os horizontes sem ter que seguir dogmas prescritos.

Uma boa saúde depende de hábitos alimentares sólidos, que em geral se estabelecem nos primeiros anos de vida. As crianças apreendem não somente pelo que lhes é ensinado verbalmente, mas também por imitação: observam os seus pais e tentam imitá-los.

A repulsa a verduras e frutas repete frequentemente comportamentos vistos em casa, na TV ou em casas de amigos. Ou seja, se os pais comem e mostram prazer ao ingerir verduras, saladas e frutas os seus filhos tentarão imitá-los. Porém, se são feitos comentários sobre estes alimentos que os descrevem como amargos, desagradáveis, a criança captará isso rapidamente.

O prazer deverá acompanhar as refeições; então, é importante deixar as preocupações com modos para mais tarde e incentivar o prazer na refeição. Deixá-los comer com a mão, enfiar o dedo no molho para experimentar, aguçar os sentidos e nomear os alimentos como salgado, doce, azedo, amargo, etc.

Preparar comidas que eles possam pegar com as mãos, nos primeiros anos estimula as actividades motoras finas. Por exemplo: pegar ervilhas com os dedos, na posição de pinça, contar quantas ervilhas comeu. Contar histórias e tradições sobre diferentes culturas e as suas diversas formas de comer. Por exemplo: os orientais que comem com “palitinhos”, os árabes que consideram que “arrotar” é um sinal que denota que gostou da comida, e assim por diante.

Neste sentido, é importante que as refeições sejam momentos descontraídos, agradáveis e prazerosas. Algumas famílias adoptam filosofias alimentares bastante rígidas que, apesar de estarem baseadas em princípios saudáveis, religiosos ou naturais, entram muitas vezes em conflito com a experiência das crianças que encontram amiguinhos que comem outras coisas.

Geralmente, as crianças costumam questionar aquilo que acontece em casa; isso não se deve tornar um peso. Ao contrário, é importante ressaltar a diversidade, que cada família escolhe filosofias diferentes. Explicar com exemplos, figuras, as escolhas realizadas em relação aos alimentos ajuda a que as crianças compreendam melhor porque os seus pais agem assim.

à medida que a criança cresce e se torna mais autónoma, ela questiona para se sentir “mais dona do seu nariz” e tenta fazer o oposto daquilo que lhe é pedido; ou seja, adopta uma postura “do contra”. Nestes casos, é importante tentar deslocar esta luta de forças para outra “arena” que não seja a alimentação.

Como é natural que os filhos transgridam as dietas impostas pelos seus pais, nestes momentos os pais precisam de ser tolerantes e compreensivos, interpretando que esta discordância talvez tenha muito mais a ver com uma necessidade de fugir do controlo e de tentar apropriar-se das suas vontades e desejos.

O ideal é deixar que os filhos descubram por si só qual a dieta que quer seguir; apesar disso despertar muita angústia nos pais, é recomendável não perder a calma, tentar mostrar à criança as vantagens de uma ou outra dieta. A imposição tenaz de um regime alimentar pode causar transgressões escondidas, e quando a criança oculta muitos segredos dos seus pais o diálogo aberto e espontâneo pode desaparecer transitoriamente; se continuar a tensão entre os pais e os filhos em relação à comida, talvez o diálogo se interrompa durante mais tempo.

Fonte: Vila Mulher – 12/02/2010[textads]

Como aumentar as Competências Comunicativas

A aquisição da linguagem é considerada um marco fundamental no desenvolvimento infantil, potenciando todo o desenvolvimento sócio-cognitivo da criança.

Uma criança que não adquira a linguagem verbal nos primeiros anos de vida poderá estar a comprometer todo este processo. Em termos teóricos, é possível descrever as características gerais da evolução da linguagem infantil, tendo como premissa que cada criança tem o seu ritmo próprio de desenvolvimento, servindo as seguintes etapas unicamente como marcos gerais de referência:

Etapas

Até aos 3 meses

O bebé sorri, vocaliza e palra numa primeira fase em resposta a solicitações do adulto e depois espontaneamente. Utiliza o choro para comunicar as suas necessidades. Reage aos sons.

Até aos 6 meses

Faz muitas vocalizações, imitando a entoação do adulto. Ri alto, dá gargalhadas e pequenos gritos de prazer. Reage com intensidade ao ouvir sons familiares e volta-se ostensivamente para as fontes sonoras.

Até aos 9 meses

Vocaliza várias sílabas sem significado. Percebe o «não». Faz jogos de imitação (bate palminhas, «A galinha põe o ovo»…).

Até aos 12 meses

Imita gestos, diz adeus e abana a cabeça para dizer «não». Faz gestos e emite sons para chamar a atenção. Repete sons e vocaliza com entoações diversas. Compreende ordens simples (exemplo: «não mexe»). É capaz de dizer pequenas palavras com sílabas simples.

Até aos 18 meses

Imita sons e comportamentos do adulto, mesmo na sua ausência. Diz palavras com verdadeiro significado. Compreende e executa ordens simples (uma de cada vez). Aponta com o indicador objectos e imagens.

Até aos 24 meses

Pede para comer, diz muitas palavras e algumas com significado de frases (embora muitas vezes só os adultos mais próximos as entendam), designa-se a si próprio pelo nome, faz recados simples.

Nestes dois primeiros anos, a sua linguagem vai progressivamente atingindo um nível de expressão linguística que lhe permite fazer perguntas, expressar os seus desejos e até contar histórias, mostrando por vezes dificuldade em distinguir o real da fantasia.

Entre os 2 e os 4 anos

A criança já está equipada com todo um conjunto de novas competências para uma exploração independente: domina a linguagem oral, embora se possam observar alguns problemas de articulação e infantilismo (“falar à bebé”).

Entre os 4 e os 5 anos

A criança adquiriu a linguagem básica, tem menos infantilismos e pronuncia bem quase todos os sons. Demonstra interesse pela linguagem escrita, procurando compreender as regras e gostando de experimentar os sons que a compõem, ao mesmo tempo que revela prazer em actividades que impliquem a escrita, gostando de expressar as suas opiniões e de ser ouvida.

A partir desta idade a evolução dá-se sobretudo ao nível do aumento do vocabulário e da complexidade da estruturação do discurso.

E se não fala?

E se a criança ainda não fala?

Se a criança apresenta um atraso significativo em relação ao que é esperado para a sua idade, os pais deverão transmitir as suas preocupações ao pediatra e, antes de mais, fazer exames auditivos que possam despistar alguma deficiência a este nível. Se existirem outras dificuldades (na relação, na autonomia, na socialização…) deverão ser investigadas as razões do atraso no desenvolvimento e tomar as medidas adequadas.

Contudo, existe um grande número de crianças que apresenta unicamente atraso no desenvolvimento da linguagem verbal, com boas capacidades compreensivas mas com dificuldades na expressão e que necessitam de maior estimulação. As estratégias aqui apresentadas facilitam o desenvolvimento da linguagem oral.

Para que uma criança fale, é necessário falar com ela, condição indispensável para a aquisição da linguagem. É também fundamental criar espaço e dar tempo à criança para que esta possa «falar».

Estratégias

Estratégias para promoção da aquisição da Linguagem
(adequadas em contexto escolar e familiar)

Minimize as questões directas

Colocar questões do tipo: “ O que é isto? O que é que queres?” numa fase inicial tornam-se complexas para as crianças. As questões e as ordens são adiadas até existir algum domínio linguístico.

Vá fazendo comentários

Siga a criança, observando aquilo que ela vai fazendo e fornecendo-lhe como que um diálogo interno, sempre com um discurso claro e com conceitos que ela seja capaz de aprender. Os comentários sobre as acções que a criança faz facilitam o desenvolvimento da linguagem (exemplo: “estamos a descer as escadas”; “é o cão”).

Espere a sua vez

Numa troca comunicativa, o adulto espera com uma antecipação visual clara a vez da criança participar no diálogo. Sempre que a criança fizer um esforço para corresponder a essa expectativa, deve ser recompensada. Essa expectativa pode ser promovida das seguintes formas:

* estabelecer contacto visual (se necessário tocando na cara da criança para a virar para si);

* virar a cabeça e o corpo na direcção da criança;

* colocar as sobrancelhas ligeiramente tensas.

Crie situações de comunicação

Encoraje a criança a comunicar espontaneamente, criando situações que provoquem essa necessidade. Não antecipe tudo o que ela precisa: leve-a a sentir a necessidade de pedir aquilo que quer (exemplo: se a criança quer beber água e aponta, “finja” que não percebe para “obrigar” a criança a “verbalizar. Reforce, se ela fizer um som que se assemelhe à palavra).

Use e abuse de gestos e expressões faciais

O gesto e o movimento tendem a encorajar o discurso:

* capte a atenção da criança com os gestos que faz;

* utilize suporte visual para ajudar a compreender o significado de vocabulário pouco claro ou novo.

Modele formas de comunicar, apresentando um modelo daquilo que a criança deverá dizer

Procure ser um modelo adequado de linguagem em vez de corrigir directamente os erros (ser sistematicamente corrigido é muito frustrante para a criança). O modelamento mantém uma postura afirmativa, a correcção parece indicar que estamos a focar a nossa atenção apenas nos erros de comunicação e não na intenção de comunicar. Procure repetir o que a criança disse de forma correcta e clara, num contexto adequado.

Reduza a extensão das afirmações

Utilize frases curtas sempre que estiver a falar com a criança ou a comentar a sua actividade. Desta forma, irá maximizar a compreensão, assim como vai modelar algo que espera que a criança seja capaz de imitar no nível de desenvolvimento de linguagem em que se encontra. Por exemplo, se a criança ainda não é capaz de usar palavras, fale com ela apenas com palavras ou com frases muito curtas; se ela só utiliza frases de duas palavras, limite o seu discurso ao uso de frases dessa natureza.

Use um tom, ritmo e volume exagerado

Torna-se necessário captar a atenção de criança que apresenta problemas em comunicar de forma espontânea. Use uma entoação e um volume exagerados para facilitar esse contacto. Utilize lenga-lengas e canções; deixe espaço para que a criança colabore com uma palavra.

Faça sons

Faça sons que acompanhem a actividade física (exemplo: fazer saltar bolinhas enquanto diz: “Pim, pim, pim”). Diga sons e dê tempo para que a criança o imite: só compostos de vogais iguais (exemplo: “Aaaaaaaaa”); compostos por vogais e consoantes (exemplo: “Pa, pa, pa”); associe sons a brincadeiras (exemplo: “Cu-cu”).

Reforce o contacto visual

Olhe para a criança, pois isso é crucial para facilitar a comunicação. Olhe para os olhos da criança e encoraje-a para que ela faça o mesmo. Utilize frases do tipo: ”Olha para mim”.

Reforce qualquer esforço

Para promover e reforçar a comunicação espontânea, deve reforçar toda e qualquer tentativa ou esforço por parte da criança. Não ignore as tentativas de comunicação. Responda sempre de alguma forma, verbalmente ou não, mas reforce o esforço da criança para comunicar, mostrando-lhe como é importante para si que ela o faça.

Coloque questões que impliquem acções

Exemplo, “Onde está o teu nariz?”; acompanhe a resposta da criança com vocalizações: “Tá aqui!”; esconda um objecto e diga “Não há”, fazendo o gesto com as mãos.

Reforce qualquer som espontâneo que a criança faça

Repita-o e brinque com esse som, exagerando-o, mimando-o ou entoando uma música.

Leve a criança a pedir mais

Faça gestos que acompanhem o vocábulo “mais” (exemplo: colocar a criança “a cavalo” nos joelhos, parar, dizer “mais” e esperar a resposta da criança para recomeçar).

Divirta-se

Fale com a criança de uma forma calma, com um tom e um ritmo agradáveis. Sorria sempre que possível. Ajude a criança a associar a comunicação com afecto e prazer. Tente manter-se calmo, ser imaginativo e criativo.


Fonte: Sapo Família[textads]

Açúcar em excesso pode potenciar depressão e alcoolismo

Que as crianças gostam muito de doces, já se sabe. Mas o que os cientistas americanos descobriram agora é que aquelas que têm uma queda maior pelo açúcar podem ser mais propensas a ter depressão e problemas futuros com o alcoolismo.

Para o estudo, coordenado pelo centro americano Monell Chemical Senses e publicado na revista especializada Addiction, os pesquisadores pediram a 300 crianças para provarem cinco bebidas distintas que continham diferentes quantidades de açúcar. Depois, perguntavam-lhes qual a que tinha o melhor gosto. Em seguida, elas respondiam a um questionário sobre sintomas depressivos.

No total, 37 crianças responderam que a melhor bebida era a mais doce, aquela que continha o equivalente a 14 colheres de chá de açúcar dissolvidas num copo de água – mais que o dobro de um refrigerante comum. Após a análise dos questionários, a equipa viu que todas as crianças com predilecção acima da média por doces tinham problemas de alcoolismo na família e apresentavam sintomas de depressão. O que os cientistas ainda não sabem é se esse gosto pelo açúcar tem uma explicação química ou se é resultado do processo de criação.

Segundo os pesquisadores, os sabores doces e o álcool agem de maneira muito parecida no cérebro, activando muitos circuitos em comum. “Sabemos que o doce é recompensador para todas as crianças e fazem-nas sentir bem”, disse a autora do estudo, Julie Mennella. “No entanto, certos grupos de crianças são especialmente atraídas pela doçura intensa devido a uma razão biológica ainda oculta”. Os cientistas afirmam ainda que os alcoólicos apresentam um gosto mais acentuado por doces, mas essa ligação entre as crianças ainda não está clara.

Dor

Durante o estudo, os cientistas realizaram ainda outra experiência para averiguar se o açúcar interferia de alguma maneira na reacção das crianças à dor ou ao desconforto, já que estudos anteriores sugerem que o açúcar pode agir como anestésico e como uma espécie de estimulante, melhorando o humor. Após os testes, constatou-se que as crianças que não apresentavam sintomas de depressão eram capazes de aguentar durante mais tempo as mãos na água gelada se recebessem uma dose de açúcar.

Médicos e especialistas receberam a novidade com entusiasmo, mas alertam para o risco de se fazer conclusões ou generalizações a partir de um único estudo.

Fonte: Veja – 10/02/2010[textads]

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