A infelicidade das crianças começa em casa

A felicidade das crianças é muito mais influenciada pelo nível de conflito familiar do que por outros factores, de acordo com um estudo feito pela instituição Childrens Society, de Inglaterra. De acordo com a pesquisa, 7% das mais de 7 mil crianças entrevistadas, com idades entre 10 e 15 anos, diziam-se bastante infelizes, sendo que a harmonia familiar era o principal motivo das suas insatisfações.

Crianças que indicavam que a sua família “ia bem” apresentavam, em média, níveis de felicidade 20% superiores do que aquelas que indicavam algum nível de insatisfação dentro de casa. E esse número mantinha-se independentemente de elas viverem com os dois pais, com um dos pais, com famílias adoptivas ou com novas famílias (quando um dos pais se casava novamente).

O estudo, conduzido pela York University, do Reino Unido, demonstrou que os maiores índices de felicidade entre as crianças eram observados nas questões relativas ao lar, à família e aos amigos. Quanto à infelicidade, os piores itens diziam respeito à aparência, local onde moravam e tarefas escolares (este último tópico era bastante previsível).

O estudo tenta chegar a um “índice de bem-estar” entre as crianças. “Este estudo é um grande passo para entender e melhorar o bem-estar entre os mais jovens. E é importante salientar que, levando em conta os números totais, é possível que duas crianças, em cada classe de uma escola, podem estar extremamente infelizes”, diz Bob Reitemeier, um dos directores da Children’s Society.

De acordo com Reitemeier, o conflito familiar mostrou-se um ponto crucial da infelicidade entre as crianças, o que é importante para nortear a percepção dos adultos quanto aos seus filhos e mesmo evidenciar que talvez sejam necessárias políticas públicas de acompanhamento familiar em alguns casos.

Outras pesquisas já apontaram que presenciar brigas e abusos verbais dentro de casa durante a infância pode desencadear processos de ansiedade e depressão na idade adulta, além de outros tipos de transtorno mental.

Fonte: GazetaWeb – 14/02/2010[textads]

Tendência para a obesidade está definida antes dos 2 anos

Uma pesquisa americana indica que a tendência para a obesidade é definida antes dos dois anos de idade.

O estudo com mais de cem crianças e adolescentes obesos, publicado na revista médica Clinical Pediatrics, descobriu que mais de metade já estava acima do peso antes dos dois anos. Antes dos cinco anos, 90% já demonstravam sinais de obesidade. 25% já estava acima do peso aos cinco meses.

Apesar de as razões para o ganho de peso excessivo na infância e adolescência ainda não serem conhecidas, os pesquisadores dizem que alguns factores que contribuem para isso são uma dieta inadequada, a introdução de alimentos a bebés muito cedo e a falta de exercício.

Hábitos alimentares

Os cientistas dizem também que as preferências alimentares já podem estar definidas antes dos dois anos e que pode ser difícil modificar os hábitos das crianças mais tarde.

Segundo o coordenador do estudo, John Harrington, da Eastern Virginia Medical School, os resultados devem chamar a atenção dos médicos. “Frequentemente, os médicos esperam que haja complicações médicas antes de começar o tratamento”, diz ele.

“Fazer com que pais e crianças mudem hábitos arraigados é um desafio monumental, repleto de decepções. O estudo indica que pode ser necessário discutir ganho de peso inapropriado no início da infância, para que haja uma redução significativa na actual tendência de obesidade.”

Fonte: BBC – 13/02/2010[textads]

A internet está a remodelar o cérebro dos jovens

Os jovens estão a perder a capacidade de concentração por causa da internet, diz um novo e polémico estudo da University College de Londres. Segundo os pesquisadores, a revolução digital estará a remodelar o funcionamento do cérebro de crianças e adolescentes, tornando-as mais hábeis para executar tarefas múltiplas, mas prejudicando o poder de concentração. A descoberta corrobora a ideia de que a internet e os aparelhinhos electrónicos não estão apenas a mudar o comportamento das pessoas, mas também a maneira como elas pensam.

O pesquisador David Nicholas, da Universidade College London, avaliou a capacidade de 100 voluntários e pediu para que respondessem a uma série de questões a partir da navegação na internet.

Os primeiros resultados mostraram que aqueles com idades entre 12 e 18 anos gastam menos tempo na procura de informação antes de darem a resposta do que os voluntários mais velhos. Em média, este grupo de 12 a 18 anos respondeu a uma pergunta depois de aceder a metade do número de sites e gastar 1/6 do tempo estudando a informação, quando comparado com o grupo mais velho.

Os adolescentes que cresceram no mundo da web destacaram-se na realização de tarefas múltiplas. Os voluntários mais jovens – nascidos depois de 1993 – também consultaram mais as respostas dos amigos, em vez de procurarem as suas próprias informações, e deram respostas mais incompletas. Os mais novos também usaram a internet de uma maneira diferente dos mais velhos: navegaram por um maior número de sites e raramente voltavam para uma mesma página duas vezes.

“A maior surpresa foi que os jovens pareciam estar saltando na web. Eles entravam em sites, olhavam uma ou duas páginas, e continuavam em frente. Ninguém pareceu dedicar um tempo maior a qualquer assunto”, diz Dave Nicholas.

Esse novo modo de pensar estaria associado a uma capacidade menor de lidar com disciplinas lineares, como leitura e escrita, porque as mentes dos jovens estariam remodeladas para pensar de uma maneira diferente.

“Está claro que, para o bem ou para o mal, essa nova geração está a ser remodelada pela web“, garante o psicólogo Aleks Krotoski, ligado ao estudo.

O cientista político David Runciman, da Universidade de Cambridge, conta a sua experiência em sala de aula:

“Todos os alunos no primeiro dia de aula perguntam: ‘o que teremos que ler?’. Quando digo que será um livro, todos reclamam, como se não fizessem isso há dez anos. Para logo depois perguntarem: ‘De quantas páginas?’.

Fonte: Globo – 11/02/2010[textads]

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