É preciso regular a publicidade dirigida a menores

A aproximação do Natal põe as associações de defesa dos consumidores de novo em estado de alerta face à voragem dos anunciantes de brinquedos nos canais infantis. Uma delas pediu à Assembleia da República que aperte as regras da publicidade na TV.

PubliCrianca.jpg Queixam-se das recorrentes violações do artigo 14º do Código de Publicidade e pediram a todos os grupos parlamentares da Assembleia da República que elaborem um projecto de lei que regule a publicidade dirigida a menores. Ao mesmo tempo, esperam que a futura Lei da Televisão contemple medidas nesta área (como proibir totalmente a publicidade nos canais infantis).

Os membros da Associação de Consumidores de Portugal (ACOP) têm em mente a próxima época natalícia e pedem uma actuação rápida das autoridades. O que propõem é simples, mas não agrada aos anunciantes: o Governo deve restringir a publicidade de brinquedos não só nos programas infantis dos canais destinados a crianças e jovens, mas também nos canais generalistas, entre as seis e as 24 horas.

“Nós entendemos que há necessidade de actuar agora, de imediato, sobre a publicidade de brinquedos porque os aliciantes são grandes e não se cumprem as regras”, disse Mário Frota ao JN.

Na opinião do jurista da ACOP, “enquanto não houver, de modo institucional, uma educação para o consumo, tem de haver um reforço dos meios restritivos da publicidade dirigida a menores”.

O especialista defende “campanhas que promovam o espírito crítico das crianças e dos pais, que os levem a distinguir verdadeiramente a informação da publicidade”. Mas protesta contra o programa “Media Smart”, distribuído em Portugal pela Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN) e “apadrinhado” pelo ex-ministro da Educação Roberto Carneiro. Trata-se de um projecto de literacia sobre a publicidade nos diversos media destinado a crianças entre os 7 e os 11 anos.

Segundo Mário Frota, o projecto não passa de “um arremedo de educação importado de Inglaterra em que os próprios anunciantes levam a publicidade à escola para atrair os menores”.

Portugal não é dos países com a legislação mais apertada. Na Suécia e na Noruega a proibição é total – de produtos e serviços dirigidos a menores de 12 anos e qualquer publicidade em programas infantis. Na Irlanda proíbe-se a publicidade em programas infantis na televisão aberta; a Grécia impede a publicidade de brinquedos entre as sete e as 22 horas; nos EUA é proibido o “merchandising testemunhal” e é imposto o limite de 12 minutos de anúncios infantis por hora nos dias da semana.


Fonte: Jornal de Notícias – 20/08/2010

Diagnóstico de meningite em apenas uma hora

Cientistas da Queen’s University de Belfast e da Autoridade de Saúde da capital da Irlanda do Norte, desenvolveram um teste revolucionário que pode diagnosticar em apenas uma hora se o paciente sofre de meningite.

Meningite.jpg Semelhante a uma impressora doméstica, o aparelho que faz o teste é portátil e acelera o resultado do exame, que actualmente demora entre 24 e 48 horas.

Um diagnóstico rápido da doença é vital para o tratamento de crianças pequenas com meningite meningocócica e septicemia, já que o seu estado deteriora-se em muito pouco tempo.

A meningite é a inflamação da meninge – membrana que protege e recobre o cérebro e a espinal medula – e pode ser causada por vírus, bactérias ou fungos, entre outros factores. A forma mais perigosa é a bacteriana, da qual faz parte a meningocócica.

Sintomas

“Os primeiros sintomas das infecções meningocócicas são os mesmos de uma virose, dificultando o diagnóstico nos estágios iniciais”, afirma o cientista Mike Shields, da Queen’s University, que liderou a pesquisa.

“Os pais normalmente usam o ‘teste do copo’ no corpo das crianças, mas as manchas vermelhas (que não desaparecem mesmo quando o copo é pressionado sobre elas) normalmente associadas a um diagnóstico de meningite são um sintoma tardio que nem sempre está presente nas crianças que têm a doença.”

A meningite meningocócica pode causar a morte de uma criança numa questão de horas, se não for tratada, e também pode deixar sequelas como surdez e lesões cerebrais. O grupo de maior risco e onde há maior incidência é o de crianças com menos de 5 anos de idade.

“Actualmente, os médicos aceitam o internamento e tratam com antibióticos qualquer criança sob suspeita de ter meningite meningocócica enquanto aguardam o resultado dos exames, que pode levar entre 24 e 48 horas”, disse o professor.

“Algumas crianças não são diagnosticadas no estágio inicial da doença, enquanto outras são internadas e tratadas, ‘pelo sim, pelo não’, quando na verdade não têm a doença.”

A meningite pode ser transmitida através do contacto com secreções respiratórias do paciente. O aparelho criado pelos pesquisadores examina uma amostra de saliva ou de sangue do paciente para avaliar se ele tem a doença. Além de salvar vidas, o diagnóstico no estágio inicial pode melhorar o tratamento dos pacientes e ajudar a evitar as sequelas associadas à doença.

Testes

A máquina já está em fase de testes no pronto-socorro do Royal Victoria Hospital for Sick Children de Belfast.

“Não há nenhum outro exame que possa confirmar o diagnóstico em tão pouco tempo. Os exames actuais são caros e demorados.” “A identificação rápida da doença vai permitir aos médicos tomar decisões sobre o tratamento que podem salvar a vida dos pacientes. Se ele tiver os resultados numa hora, poderá começar o tratamento apropriado imediatamente”, afirmou Shields.

No entanto, o aparelho ainda precisa de ser testado durante mais tempo para que seja avaliada a precisão dos resultados.

O estudo contou com o apoio da Fundação para a Pesquisa da Meningite da Grã-Bretanha (MRF, na sigla em inglês).

Segundo dados do Ministério da Saúde, foram registados no Brasil 19.708 casos de meningite em 2009; desses, 2.603 eram de meningite meningocócica.

A vacina conjugada contra o meningococo do serogrupo C passará a integrar o calendário básico da vacinação na rede pública a partir de Agosto deste ano para crianças com menos de dois anos de idade, informou o Ministério.


Fonte: BBC – 19/08/2010

Encontre as outras 150

A Progeria Research Foundation quer encontrar e ajudar crianças que sofram de progeria, uma doença grave e rara que provoca o envelhecimento prematuro nas crianças. A campanha “Find the Other 150” [encontre as outras 150] reforça a convicção da fundação, que acredita haver 150 casos de progeria por diagnosticar no mundo.

Progeria.jpgNos últimos meses, a campanha vigiou 20 casos que estavam sob suspeita de terem a doença. Destes 20, foram confirmados 13 casos de crianças com progeria, provenientes de sete países.

Os sintomas da doença, que afecta pelo menos 67 crianças no mundo, são semelhantes ao envelhecimento natural de qualquer ser humano. Paragem do crescimento, perda de massa gorda e cabelo, osteoporose, envelhecimento da pele são alguns exemplos. Os problemas cardiovasculares acabam por ser a principal causa de morte das crianças, que têm uma esperança média de vida de 13 anos.

A presidente da fundação, Audrey Gordon, mostra-se satisfeita e até surpreendida com os resultados, que superaram as expectativas. Explica que desta maneira será mais fácil fornecer o devido apoio médico às crianças que sofrem da doença.

Acrescenta ainda que é um importante passo para o avanço científico no estudo da progeria, na descoberta de novos tratamentos ou até de uma possível cura.


Fonte: I Online – 18/08/2010

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