As consolas aumentam o risco de défice de atenção

Estudo americano diz que consolas aumentam em 67% o risco de défice de atenção. Especialistas nacionais falam em vício. Nas férias há carta branca, mas sob vigilância dos pais.

Vidiojogos.jpg A meio do ano lectivo passado, as notas de Física e de Matemática de quase metade da turma do 11º ano do Liceu Francês, em Lisboa, começaram a descer, sem razão aparente. Mas os indícios de que algo de estranho se passava revelavam-se no comportamento diário nas aulas: pouca atenção, sonolência, falta de produtividade.

“Acabámos por descobrir que havia um grupo de rapazes que jogava em rede durante horas a fio, até de madrugada”, explica o professor e psicólogo Pedro Hubert, acrescentando: “A situação estava a ficar problemática, ao ponto de um deles, quando confrontado pela mãe sobre o excesso de horas a jogar, lhe atirar com o teclado.”

Aos riscos da utilização repetida dos videojogos no dia-a-dia, um estudo norte-americano, publicado na edição deste mês da revista Pediatrics, junta agora o défice de atenção e a hiperactividade, um problema que, em Portugal, afecta 50 mil adultos e crianças e é considerado pelos especialistas uma das principais causas para o insucesso escolar e a difícil integração social.

O estudo mostra que esta utilização abusiva faz subir para 67% o risco de a criança ou o adolescente vir a sofrer de défice de atenção e de hiperactividade. Na investigação, participaram 1323 adolescentes de 10 colégios dos vários estados norte-americanos, que foram acompanhados durante um ano.

As opiniões dos especialistas portugueses dividem-se quanto aos malefícios dos videojogos, mas todos estão de acordo ao considerarem um exagero a sua associação ao défice de atenção e à hiperactividade, que tem sobretudo razões genéticas.

“São coisas diferentes e que não têm relação de causa-efeito. Já havia défice de atenção antes do tempo das consolas”, contrapõe a pediatra Ana Vasconcelos. “São até uma forma de os deixar calmos e concentrados”, diz ainda Linda Serrão, presidente da Associação Portuguesa da Criança Hiperactiva, que tem em casa três casos, com 11, 14 e 18 anos.

Ainda assim, os perigos existem. “Os grandes problemas têm a ver com a falta de produtividade, cansaço, falta de concentração”, sublinha Pedro Hubert, garantindo comprovar estes comportamentos no seu dia-a-dia como professor. “Quando estão a jogar, estão completamente desligados da realidade que os rodeia, e, ao contrário das aulas, aqui a necessidade de concentração é mínima, a tarefa é feita automaticamente. Quando chegam às aulas estão muito desconcentrados”, constata o psicólogo clínico.

“Muitas horas a jogar transtorna as crianças”, concorda Ana Vasconcelos. “Ficam completamente fora do mundo real e não é importante o que eles aprendem através dos jogos”.

Os especialistas alertam ainda para o risco de viciação. “O que está em causa é a competição muito forte nestes jogos, que os torna muito atractivos e absorventes. Desempenham a função de alheamento, de evasão, de adrenalina, de acção, de euforia e de risco, que os miúdos adoram”, explica Pedro Hubert, que lida com muitos casos destes no consultório.

É aos pais que cabe impor regras e limites ao tempo que os filhos dedicam aos jogos. Nas férias, há carta branca, mas no regresso às aulas é preciso apertar a vigilância. Foi o que aconteceu com a turma do Liceu francês: “As notas da turma começaram de novo a subir porque houve um trabalho entre pais e professores.”


Fonte: Diário de Notícias – 25/07/2010

A música ajuda ao desenvolvimento das crianças e adolescentes

A música não faz bem apenas aos ouvidos. Ajuda também a criança a desenvolver a coordenação motora, a expressão corporal, o raciocínio e a matemática. Esta nova visão sobre os benefícios da musicalização ajudou na aprovação de uma nova lei que vai entrar em vigor no ano que vem: todas as escolas terão de incluir a disciplina de Música no currículo escolar.

Musica.jpg Quem já teve contacto com a disciplina, como a estudante Nicolle Heep, 13 anos, percebe os benefícios. “Comecei tocando violino, passei para a flauta e o piano. Hoje consigo ter mais concentração e muita facilidade para aprender os conteúdos”, diz Nicolle. A mãe de Nicolle, Lirian Hepp, incentivou sempre os três filhos a tocar instrumentos. “Eles nunca precisaram de reforço escolar. Não sei se podemos dar o mérito apenas à música, mas acho que contribui bastante”, diz Lirian.

A Música existiu nas escolas até 1972. Depois disso, foi incluída timidamente nas disciplinas de Educação Artística e Arte. A velha visão polivalente da matéria agora será substituída pela lei 11.769, de 2008, que alterou a Lei de Directrizes e Bases e incluiu a música como ensino obrigatório em 2011.

A lei é sucinta. Não cita para quais séries é destinada nem o formato e o conteúdo das aulas. O Ministério da Educação (MEC) recomenda apenas que os alunos recebam noções básicas de música, dos hinos cívicos, dos sons de instrumentos de orquestras e os sons folclóricos e regionais. As directrizes mais específicas serão traçadas pelos conselhos municipais e estaduais de Educação.

Para o professor, músico e escritor Guilherme Campos, do Colégio Dom Bosco, o ideal seria que a música fosse ensinada do primeiro ao nono ano do ensino fundamental. No ensino médio deveria ser uma disciplina optativa.

Como a disciplina de Musi­calização existe há 20 anos no Dom Bosco, definiu-se um currículo em três etapas. Crianças até à 2ª série trabalham com a sensibilização para os ritmos, instrumentos, melodias e sons mais intensos e outros mais fracos. A partir da 3ª série tem contacto com a flauta como instrumento e na 8ª e 9ª séries trabalham o canto. “A flauta é ideal como instrumento musicalizador porque é fácil de tocar e de ser adquirida. Temos ainda uma sala com piano e os alunos podem trazer os instrumentos que quiserem”, explica Campos.

A presidente da Associação Brasileira de Educação Musical, Magali Oliveira Kleber, diz que é importante que a música seja tratada pela escola como produção de conhecimento e que as propostas pedagógicas levem em conta as raízes culturais regionais. Para Magali, a retomada da educação musical é fruto do trabalho de gerações de educadores e deve ser aproveitada ao máximo.

Trabalhar a música como meio de integração de grupo, respeitando as limitações de cada um, é outro aspecto que Campos defende. “É como no desporto, alguns alunos têm mais aptidão. Contudo, dá para trabalhar com todos.”

Formação

Com o retorno do ensino de música, os professores acreditam que a escola vai cumprir o objectivo da formação integral. O vice-coordenador do curso de Música da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Rogério de Brito Pergolb, afirma que sem o ensino formal da música o aluno acaba aceitando pacificamente tudo o que os media lhe oferecem.

O director do conservatório municipal de música de Ponta Grossa, Jairo Ferreira, acrescenta que a aprendizagem da música oferece disciplina e concentração. “A música faz parte da formação do ser humano. Hoje, o Brasil é carente de ética e disciplina e eu acho que o ensino da música tem muito a contribuir”, opina.


Fonte: Gazeta do Povo – 11/07/2010

A jardinagem ajuda ao desenvolvimento das crianças

Ajudar na jardinagem, além de deixar as crianças felizes, contribui para o desenvolvimento de capacidades como a paciência ou o gosto pela resolução de desafios. Os miúdos encorajados a tratar da terra tornam-se adultos mais flexíveis, confiantes e saudáveis. A isso os obrigam os caprichos da natureza, da variação do tempo às doenças que atacam as plantas.

CriaJardim.jpgA conclusão é de um estudo da britânica Real Sociedade Hortícola efectuado junto de 1300 professores e 10 escolas, que defende a jardinagem como uma importante ferramenta a utilizar nas escolas, em vez ficar condenada ao papel actual de actividade extra-curricular.

Estudiosos da Fundação Nacional para a Investigação Educacional descobriram professores que usam a jardinagem como ferramenta de aprendizagem e segundo os quais o contacto com a terra melhora a capacidade de leitura das crianças. Estes docentes dizem, ainda, que a jardinagem encoraja as crianças a serem mais activas na resolução de problemas e ajuda-as na aquisição de competências em termos de literacia e matemática.

“Fundamental para o sucesso das hortas escolares foi a capacidade demonstrada pelos alunos para transformar matérias académicas, por vezes aborrecidas, em assuntos práticos e em verdadeiras experiências”, refere o relatório.

“A natureza imprevisível dos projectos de jardinagem – por causa das variações climáticas e das pragas – obrigou as crianças a serem mais flexíveis e mais capazes de pensar por si na resolução de problemas”, acrescenta a investigação, citada na semana passada pela BBC.

O contacto de crianças pequenas com insectos ajudou-as também a superar medos, enquanto a espera pelo crescimento das culturas incutiu-lhes paciência.

As vantagens não ficam por aqui, e a jardinagem, diz a Real Sociedade Hortícola, também ensina a viver e a comer de forma mais saudável, com as crianças mais motivadas para experimentar novos vegetais caso tenham crescido entre as coisas que plantaram.

“As escolas que integraram as hortas/jardins nos currículos estão a desenvolver crianças muito mais aptas a responder a desafios na vida adulta”, disse Simon Thornton Wood, responsável pelo ensino da ciência daquela instituição britânica, citado pelo site da BBC.


Fonte: Jornal de Notícias – 04/07/2010

Related Posts with Thumbnails
Page 1 of 20123451020...Last »

PATROCÍNIOS

Log in - BlogNews Theme by Gabfire themes