Estabelecida relação entre os pesticidas na alimentação e a hiperactividade

Ter uma razão válida para não comer a sopa e deixar os brócolos de lado é tudo o que os miúdos querem, mas o assunto é sério. As crianças expostas a elevados níveis de pesticidas aplicados nos legumes e nas frutas têm maior probabilidade de vir a sofrer de hiperactividade e deficit de atenção.

a_hiperactividade.jpg Cientistas dos Estados Unidos e do Canadá vigiaram de perto a alimentação de 1139 crianças entre os 8 e os 13 anos e descobriram que aquelas que tinham níveis residuais mais altos de pesticidas conhecidos como fosfatos orgânicos apresentavam duas vezes mais riscos de sofrer de hiperactividade.

O estudo da Universidade de Harvard foi publicado no início desta semana na revista científica americana “Pediatrics” e pela primeira vez ficou estabelecida uma relação entre exposições normais aos insecticidas organofosforato (frequente em frutas e legumes) e maior propensão para a hiperactividade na população infantil dos Estados Unidos.

A influência dos pesticidas no comportamento dos mais novos já tinha sido provada anteriormente, mas esta investigação revela que, mesmo a exposição a níveis normais, pode ser prejudicial. No estudo, os compostos foram encontrados na urina de 94% das 1139 crianças analisadas.

Mas a exposição aos agrotóxicos, usados para exterminar pragas ou doenças que causam danos às plantações, não está só relacionada com o deficit de atenção, hiperactividade e problemas de aprendizagem, podendo causar outros danos em qualquer faixa etária. “O actual estudo soma-se às evidências acumuladas anteriormente que relacionam níveis mais elevados de exposição a pesticidas a consequências adversas para o desenvolvimento do cérebro”, escreveram os investigadores na publicação científica.

Apesar dos pesticidas de uso doméstico serem comuns nos Estados Unidos, os investigadores descobriram que a principal fonte de exposição para a população infantil advém da alimentação. As crianças estão mais sujeitas aos danos dos pesticidas por consumirem mais resíduos do que os adultos em relação ao peso corporal.

A alimentação, aliás, é um dos principais factores a ter em conta quando o objectivo é cuidar de uma criança hiperactiva, explica Linda Serrão, presidente da Associação Portuguesa da Criança Hiperactiva (APCH). E é por isso que a formação dos pais é tão necessária, defende a dirigente da associação, esclarecendo que em Portugal há cerca de 100 mil crianças e adultos a sofrer desta doença.

A família de Linda Serrão está também incluída nessa população já que tanto ela como o marido e os três filhos são hiperactivos. “Com o tempo, fomo-nos adaptando e percebendo que uma alimentação bem cuidada é uma das principais causas para o nosso bem-estar”.

Moderar o açúcar é a chave do sucesso.

Fonte: i online – 19/05/2010

A importância do leite materno para a boa visão do bebé

a_amamentando.jpg Quando um recém-nascido abre os olhos, às vezes temos a impressão de que ele olha, mas não vê os objectos que estão por perto. Essa sensação ocorre porque, nos primeiros meses de vida, o sistema nervoso central ainda não está suficientemente maduro. Em circunstâncias normais, a nitidez da visão do recém-nascido irá melhorando à medida que o seu cérebro for amadurecendo.

A impressão de que o bebé “olha, mas não vê” é denominada clinicamente de “reflexo de fixação”, um fenómeno instintivo que se desenvolve entre os seis e os dez semanas de vida. Uma vez que o reflexo incorpora de forma definitiva o controlo visual, a criança começa a seguir os objectos com os olhos e move a cabeça na direcção de quem aparece à sua frente.

Além de representar um sintoma de maturidade, o reflexo de fixação já instaurado no sistema nervoso central do bebé significa também o início do contacto visual com as pessoas que costuma ter habitualmente ao seu redor.

Essa evolução visual prossegue até que, por volta dos três meses de vida, o bebé começa a perceber e memorizar os traços faciais da mãe e do pai. Além disso, ele começa lentamente a distinguir as cores.

Até a consolidação dessa fase, é possível que o bebé desordene os olhos, dando a impressão de estrabismo em determinados momentos, mas isso não é motivo para se assustar. Geralmente, representa a falta de coordenação e controlo nos centros cerebrais responsáveis pela adequada posição dos olhos, mas tende a melhorar com o tempo.

Dos três aos seis meses, a visão da criança evolui. A partir dos quatro meses, os olhos adquirem coordenação, e o bebé percebe cada vez melhor o mundo ao seu redor, ampliando o seu campo visual. Deve-se lembrar também que, nos dois primeiros anos de vida, a visão torna-se o sentido básico de comunicação da criança com o mundo exterior.

Função vital

De acordo com o pediatra José Manuel Moreno, entre 4% e 5% dos recém-nascidos apresentam problemas de visão. Mas, apesar das várias possíveis causas, um diagnóstico precoce e uma dieta controlada podem prevenir e tratar esses casos e evitar maiores complicações durante o crescimento da criança.

“É vital o papel do pediatra no diagnóstico dos problemas. Como o sistema visual do recém-nascido ainda não está bem formado, é fundamental que os pais acompanhem esse processo de amadurecimento para verificar se ele progride normalmente”, diz.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a prevenção do problema de visão do recém-nascido é categórica: até aos seis meses, a melhor precaução para o bebé é alimentar-se com leite materno. Quando isso não é possível, recomenda-se usar uma fórmula de leite artificial com propriedades e nutrientes semelhantes ao leite materno.

Segundo Moreno, o leite da mãe é rico em diversos ingredientes benéficos para o desenvolvimento do bebé, como os ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa, sobretudo o DHA (ácido docosahexaenoico).

“Os ácidos graxos são fundamentais para o amadurecimento do sistema visual e para o desenvolvimento do cérebro. Dado que a retina e o córtex são as partes do corpo com maior quantidade de DHA, a dieta do recém-nascido, por meio da ingestão desse ácido através do leite materno, tem um impacto significativo no amadurecimento das funções cerebrais e visuais”, destaca Moreno.

Na opinião do pediatra, as crianças que tomam leite do peito apresentam melhor acuidade visual em relação aos que recebem uma fórmula artificial. No entanto, quando não é possível alimentar o bebé com leite materno, o ideal é que recebam um preparado artificial que conte com praticamente as mesmas propriedades que o leite da mãe.

O cérebro do recém-nascido, embora imaturo, é muito rico em gorduras insaturadas, sobretudo na região que afecta a retina. Segundo Moreno, é justamente na fase de crescimento que se torna mais importante o adequado nível de depósitos de poli-insaturados para que o bebé tenha um desenvolvimento saudável das suas funções.

Hora da consulta

Alguns dos problemas relacionados com a visão são evidentes, mas existem outros, como a falta de acuidade visual, que não são fáceis de perceber. Segundo o médico, é imprescindível que os pais levem a criança periodicamente ao pediatra para avaliar a visão do filho.

“O objectivo é que todas as crianças, antes de completarem quatro ou cinco anos, sejam examinadas para saber se sofrem de algum problema de visão. Deixar para avaliar mais tarde, pode reduzir significativamente as probabilidades de recuperação do olho”, explica Moreno.

Fonte: Donna – 26/04/2010

Dieta equilibrada melhora rendimento escolar

A campanha para levar uma dieta saudável aos refeitórios das escolas britânicas, promovida pelo cozinheiro e guru da alimentação equilibrada, Jamie Oliver, demonstrou ter repercussões positivas no rendimento académico das crianças e diminuiu as suas ausências por doença.

Oliver retirou do menu do refeitório do colégio os hambúrgueres, as batatas fritas, os nuggets de frango e as salsichas, substituindo-os por rosbife, peixe, bolos de verduras, ervilhas com cogumelos e frutas.

Para medir as consequências da campanha, foram analisados os resultados académicos das crianças de 11 anos de um colégio de Greenwich (sul de Londres), e as conclusões foram publicadas nesta terça-feira, 30, pelo jornal britânico The Guardian.

A percentagem de crianças que melhoraram o seu rendimento em língua inglesa subiu 4,5% após a campanha. Em ciências, a percentagem de crescimento foi de 6%. Além disso, o número de ausências justificadas às aulas, que normalmente acontecem por razões médicas, caiu 15% desde 2004, quando começou a campanha Alimentem-me melhor.

Segundo os pesquisadores, os resultados são de uma magnitude comparável à introdução da hora de leitura nos anos 90.

“É a primeira vez que se faz um estudo completo sobre os efeitos positivos da campanha, demonstrando claramente que agimos correctamente durante todo este tempo”, assegurou Oliver.

O cozinheiro também tentou a iniciativa nos EUA, mas não obteve o sucesso esperado, pois sofreu com a oposição das grandes cadeias de fast-food [comida rápida].

Fonte: Estadão – 30/03/2010[textads]

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