Na edição de Janeiro da revista Pediatrics, pesquisadores do MassGeneral Hospital for Children (MGHfC) e colegas descreveram como a contaminação de fumo de tabaco permanece mesmo depois de o cigarro ter sido apagado – um fenómeno descrito como “fumo de terceira mão”. O estudo é o primeiro a examinar atitudes de adultos em relação aos riscos para a saúde das crianças que esse tipo de contaminação oferece, e como essas crenças se podem relacionar com as regras sobre como fumar em suas casas.
“Quando você fuma – em qualquer lugar – partículas tóxicas do fumo de tabaco permanecem no seu cabelo e nas suas roupas”, disse o autor principal do estudo, Jonathan Winickoff. “Quando você tem contacto com o seu bebé, mesmo que não esteja a fumar no momento, ele se contamina com essas toxinas. E se você amamenta, as toxinas vão transferir-se para o seu bebé no seu leite.” No entanto, Winickoff diz que amamentar, mesmo se for fumante, ainda é preferível à mamadeira.
Material com partículas de fumo de tabaco é tóxico. De acordo com o National Toxicology Program, estão presentes cerca de 250 gases, produtos químicos e metais tóxicos no fumo. Onze desses componentes são classificados como «o grupo 1 dos cancerígenos», os mais perigosos.
Crianças pequenas são especialmente susceptíveis ao fumo de terceira mão, pois elas podem aspirar, gatinhar, brincar ou tocar superfícies contaminadas e depois colocar as mãos na boca. O fumo de terceira mão pode permanecer dentro das residências muito tempo depois de o cigarro se ter apagado.
Níveis baixos de exposição foram associados a défices de cognição entre crianças e altos níveis de exposição, a menores níveis de leitura. Essas descobertas reforçam a possibilidade de que níveis extremamente baixos desses componentes possam ser neurotóxicos e, de acordo com os pesquisadores, justifiquem a restrição de todo o tipo de fumo em ambientes internos habitados por crianças.
Fonte: Estadão – 29/11/2008







