Há sorrisos rasgados na página da Internet da Helpo, organização não governamental, instalada em Cascais. Estrutura sem fins lucrativos que desde Novembro de 2004 promove vários projectos, ajuda humanitária, desenvolvimento comunitário, para tentar melhorar as condições das populações e grupos desfavorecidos dos países que mais necessitam de uma mão amiga. A Helpo anda no terreno. Tem coordenadores portugueses em várias comunidades para ajudar crianças de Moçambique e São Tomé e Príncipe, disponibilizando o serviço de apadrinhamento.
Neste momento, a Helpo, associação 100% portuguesa, tem 3.780 crianças apadrinhadas nos dois países africanos. Sofia Nobre, da organização, explica o que é preciso fazer para ajudar os mais pequenos. No site, há um campo dedicado aos apadrinhamentos, onde se encontra um formulário de adesão. Basta preencher o documento e numa semana o processo fica tratado. Os padrinhos recebem uma foto do afilhado, a sua história de vida, características, bem como informações sobre a comunidade onde reside e respectivo país.
Há três modalidades à escolha. O apoio completo custa 21 euros e contempla ajudas ao nível escolar, da saúde e da alimentação. Para o apoio escolar, bastam 13 euros por mês para que a criança possa ir à escola e tenha acesso a pelo menos uma refeição no estabelecimento de ensino. E há ainda o apoio colectivo que fica por 26 euros por trimestre, em que um grupo apoia uma turma. O dinheiro é transformado em bens que fazem realmente falta. Os euros transformam-se em lápis, cadernos, canetas, leite em pó, arroz, feijão, entre muitos outros objectos.
Sofia Nobre garante que esta forma de ajuda tem feito a diferença ao nível da aprendizagem. Há mais crianças na escola, menos desistências e menos trabalho infantil. “As mudanças são visíveis, não só pelo número de crianças nas escolas, que aumentou significativamente, como pela diminuição do absentismo escolar”. “Sentimos que há mais crianças a aprender e que permanecem mais tempo na escola”, acrescenta.
Há cartas a circular entre Portugal e África. Os padrinhos podem escrever aos afilhados de três em três meses e podem mandar um presente – um brinquedo, um livro, uma peça de roupa – semestralmente. A prenda é entregue e os animadores sociais da localidade, que trabalham com a Helpo, fotografam o momento e enviam o registo ao padrinho. Os afilhados também escrevem, os que já o sabem fazer, ou em alternativa fazem um desenho ou pedem ajuda aos responsáveis pelo projecto. Escrevem habitualmente duas vezes por ano: no Natal e na Páscoa.
Dar resposta às necessidades básicas dos mais pequenos. Tentar que aprendam a ler e a escrever, em vez de começarem a trabalhar bem cedo porque os pais precisam de mais braços para sustentar a casa, a família. “Com os apadrinhamentos, garante-se que as crianças possam ir à escola, já que muitas vezes os pais não têm meios para facilitar essa educação e comprar os materiais necessários”, refere. A Helpo tem equipas junto das comunidades, avalia as necessidades reais, traça o diagnóstico de quem realmente precisa de apoio. E há uma rede de animadores sociais nas localidades que são uma ajuda preciosa nessa missão.
Sofia Nobre é madrinha de uma menina de 10 anos de Moçambique. Uma experiência enriquecedora. O saber que mesmo à distância se consegue actuar. Contribuir para a felicidade das crianças, para o seu desenvolvimento, para que sejam crianças e brinquem. No entanto, nos últimos anos “tem-se notado a diferença”. Há menos padrinhos. Uma quebra de procura de afilhados que poderá reflectir dificuldades económicas de muitas famílias.
O Projecto Renascer, que conta com uma rede de voluntários espalhados por vários países, tem desenvolvido campanhas de angariação de fundos para determinados fins humanitários, e tem também padrinhos e madrinhas disponíveis para ajudar meninos de rua de comunidades desfavorecidas de Angola.
Os padrinhos pagam propinas e garantem o acesso à educação. Uma ajuda que fica por cerca de 243 euros por ano. A cada momento, o padrinho pode saber como o seu dinheiro está a ser utilizado. O formulário de adesão está online.
Inês Fragateiro, filha de uma das principais dinamizadoras do Projecto Renascer, tem uma afilhada de quatro, cinco anos, não se sabe ao certo da idade da menina, a mais nova de muitos irmãos. Inês optou por uma criança da idade do filho para lhe poder enviar roupa e brinquedos. Mas também junta comida para enviar para Angola. Fá-lo com gosto, com vontade de encher contentores com bens para os meninos e meninas que precisam de estudar e ter uma alimentação condigna.
Fonte:Educare – 26/03/2010[textads]







