Taynara Medeiros de Souza não anda, não fala e nem pode brincar. A menina de sorriso fácil tem três anos, mas nem de longe lembra uma criança da mesma idade. Por conta da paralisia cerebral, ela divide o tempo entre o colo da mãe, do pai ou da avó. Não consegue sentar-se sozinha nem segurar os brinquedos que enfeitam a casa simples onde mora, em Ceilândia Norte.
Inconformados com a situação da criança, os pais de Taynara resolveram procurar ajuda. Depois de muitos contactos, a menina foi aceite numa clínica na China que realiza tratamento com células-tronco. Mas o motorista Ednelson Pereira de Souza, 37, e a assistente administrativa Rejane Medeiros, 39, não têm condições de pagar os custos da viagem.
Apesar do alto preço do tratamento — cerca de R$ 70 mil entre o valor da viagem e das aplicações —, a esperança da família continua viva: eles lançaram uma campanha e um blog (Taynara E Um Sonho) para arrecadar recursos e, assim, levar Taynara para a China o mais rápido possível. Já conseguiram arrecadar R$ 6,3 mil, mas ainda estão distantes da quantia necessária para a viagem. A clínica, pioneira nesse tipo de tratamento, fica na cidade chinesa de Shenzhen, próximo à fronteira com Hong Kong. A aplicação de células-tronco na tentativa de recuperar as células cerebrais danificadas não é sequer permitida no Brasil — a técnica é polémica e ainda contestada por alguns cientistas. Mesmo sem garantias totais de êxito, muitos pacientes têm atravessado o mundo em busca dessa nova forma de tratamento.
Outras crianças já fizeram esse mesmo caminho e conseguiram sucesso. Uma das pioneiras, a menina pernambucana Clara Pereira, com apenas um ano foi submetida à técnica chinesa. Antes, a menina não conseguia nem manter o tronco e a cabeça erectos. Depois da viagem, já se senta e come quase normalmente.
“Ligámos para os pais da Clara e ficámos muito animados com o resultado. Conversámos com as famílias de outras crianças que fizeram o tratamento e todas elas conseguiram progressos”, justifica a mãe de Taynara. Rejane conta que o seu grande sonho é ver a filha andar e segurar objectos: “Hoje, a Taynara só pode ficar no colo da gente. Nem na cadeira de rodas ela tem firmeza suficiente”.
Os pais da menina revezam-se nos cuidados. Rejane trabalha durante o dia numa agência de viagens e Ednelson de Souza é motorista de uma empresa de madrugada. Assim, ele pode acompanhar Taynara na escola pública de ensino especial.
Fonte: Correio Braziliense – 04/01/2010[textads]







