Em primeiro lugar, a fase não deve ser sinónimo de pânico, e sim uma oportunidade para uma nova relação entre pais e filhos. “Famílias com melhor comunicação conseguem adaptar-se com maior facilidade às mudanças, sugerindo que pais democráticos, com autoridade, que expliquem regras de conduta e incentivem a independência responsável, oferecem melhor oportunidade para que o jovem aumente a sua autonomia sob orientações e grau de controlo apropriado”, explica Tânia.
A profissional ressalta que a falta de diálogo, por sua vez, pode dificultar. “A adolescência é marcada por mudanças físicas, sexuais, psicológicas e cognitivas do adolescente, mas também por demandas sociais feitas por pais, companheiros, professores e sociedade como um todo”, avalia. Ou seja, adultos exigem do novo adulto independência, mudanças no relacionamento, ajustamento sexual, preparação para a educação e vocação para o trabalho, o que parece injusto com os adolescentes que passam por tantas transformações biológicas e culturais na procura da própria identidade.
Muitos familiares assustam-se com a nova postura de quem antes era o “anjinho da casa”. Também não é raro encontrar pais que fecham os olhos às alterações de comportamento “suspeitas” e as julgam normais por achar que são passageiras. Segundo Tânia, para falar de “normal” é preciso olhar a cultura, a estrutura familiar, a educação recebida e a dinâmica social do jovem. Muitas vezes, um adolescente é julgado por conduta “anormal”, mas a sua realidade mostra uma estrutura familiar fragmentada, falta de orientação, regras e limites. Trata-se de “um conjunto de ausências que permearam a vida deste adolescente que passa a ser julgado pelo que não recebeu”, diz a psicóloga.
De acordo com a profissional, os jovens costumam ser optimistas, mas alguns têm uma visão negativa sobre si, tendem a ser isolados emocionalmente, alienados da sociedade e dependentes de drogas, sendo comum sofrerem de distúrbios psicológicos e psicofisiológicos.
Nada é por acaso. “As razões muitas vezes têm origem em experiências pessoais de desenvolvimento, como relações conturbadas com os pais, maus tratos e violência doméstica, preocupações sociais como discriminação racial ou económica, rejeição dos valores da sociedade e sentimentos de solidão”, afirma.
Por isso, nada melhor do que o acompanhamento da família e, em certos casos, o apoio de um psicólogo. “Pais atentos podem observar alterações no comportamento dos filhos e procurar apoio psicológico de um profissional, apesar de ser comum a resistência dos jovens em concordar na procura de ajuda e reconhecer que precisa dela”, diz Tânia.
A terapia com adolescentes pode ser individual ou em grupo mas, segundo a profissional, o paciente precisa detectar que pode confiar no terapeuta, que necessitará ser flexível, impondo limites quando necessário, cuidando para não substituir o papel dos pais.
Fonte: Jornal Cidade – 28/11/2008







