A probabilidade das crianças contraírem gripe A é o dobro da dos adultos

Um estudo realizado por investigadores da Imperial College de Londres, com a colaboração de uma equipa dos Estados Unidos, que incidiu sobre a propagação do vírus no seio das famílias, descobriu que a probabilidade das crianças adoecerem com Gripe A é duas vezes superior à dos adultos.

No estudo, onde foram analisados mais de 800 casos, uma em cada oito pessoas desenvolveu a infecção depois de outro membro da família ter sido infectado. No entanto, a equipa nega as sugestões de que as crianças sejam “super propagadores” do vírus, dado ter-se verificado que o contágio através das crianças é igual ao verificado em qualquer outro nível etário.

Os números oficias mostram que as taxas de infecção da Gripe A tendem a ser mais altas entre as classes etárias mais jovens. Além disso, pensa-se que há um grande número de crianças que foram afectadas pelo vírus sem terem, no entanto, apresentado sintomas. A pesquisa, publicada no New England Journal of Medicine, confirmou que a probabilidade de as crianças serem infectadas é maior.

A equipa debruçou-se sobre os dados recolhidos entre os familiares e amigos de 216 pessoas infectadas com o vírus da Gripe A. De um grupo de 600 pessoas, o grupo etário menor de 18 anos tinha uma probabilidade duas vezes superior à dos adultos menores de 50 anos – no grupo etário das pessoas maiores de 50 anos, a probabilidade era a mais pequena.

Contágio

Contudo, a relação de um para oito das pessoas infectadas foi considerada muito pequena, em comparação com pandemias anteriores. As pesquisas, que também foram analisadas pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, estudaram ainda o tempo de permanência da infecção. Descobriram que o tempo médio entre o aparecimento de sintomas de uma pessoa e a manifestação da doença noutra pessoa no mesmo domicílio era de 2,6 dias. Isto poderá significar que as sugestões no início da pandemia de que as pessoas deveriam ficar em casa durante um período de sete dias quando doentes, foi provavelmente desnecessária.

“Se a infecção é transmitida a outros nos primeiros dias, obrigar as pessoas a ficar em casa durante uma semana pode ser desnecessário e prejudicial para a economia”, diz Simon Cauchemez, responsável principal do estudo.

Entretanto, “informações posteriores têm vindo a engrossar a base de conhecimento sobre o vírus”, conforme refere o porta-voz do Departamento de Saúde.

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