Quem já teve contacto com a disciplina, como a estudante Nicolle Heep, 13 anos, percebe os benefícios. “Comecei tocando violino, passei para a flauta e o piano. Hoje consigo ter mais concentração e muita facilidade para aprender os conteúdos”, diz Nicolle. A mãe de Nicolle, Lirian Hepp, incentivou sempre os três filhos a tocar instrumentos. “Eles nunca precisaram de reforço escolar. Não sei se podemos dar o mérito apenas à música, mas acho que contribui bastante”, diz Lirian.
A Música existiu nas escolas até 1972. Depois disso, foi incluída timidamente nas disciplinas de Educação Artística e Arte. A velha visão polivalente da matéria agora será substituída pela lei 11.769, de 2008, que alterou a Lei de Directrizes e Bases e incluiu a música como ensino obrigatório em 2011.
A lei é sucinta. Não cita para quais séries é destinada nem o formato e o conteúdo das aulas. O Ministério da Educação (MEC) recomenda apenas que os alunos recebam noções básicas de música, dos hinos cívicos, dos sons de instrumentos de orquestras e os sons folclóricos e regionais. As directrizes mais específicas serão traçadas pelos conselhos municipais e estaduais de Educação.
Para o professor, músico e escritor Guilherme Campos, do Colégio Dom Bosco, o ideal seria que a música fosse ensinada do primeiro ao nono ano do ensino fundamental. No ensino médio deveria ser uma disciplina optativa.
Como a disciplina de Musicalização existe há 20 anos no Dom Bosco, definiu-se um currículo em três etapas. Crianças até à 2ª série trabalham com a sensibilização para os ritmos, instrumentos, melodias e sons mais intensos e outros mais fracos. A partir da 3ª série tem contacto com a flauta como instrumento e na 8ª e 9ª séries trabalham o canto. “A flauta é ideal como instrumento musicalizador porque é fácil de tocar e de ser adquirida. Temos ainda uma sala com piano e os alunos podem trazer os instrumentos que quiserem”, explica Campos.
A presidente da Associação Brasileira de Educação Musical, Magali Oliveira Kleber, diz que é importante que a música seja tratada pela escola como produção de conhecimento e que as propostas pedagógicas levem em conta as raízes culturais regionais. Para Magali, a retomada da educação musical é fruto do trabalho de gerações de educadores e deve ser aproveitada ao máximo.
Trabalhar a música como meio de integração de grupo, respeitando as limitações de cada um, é outro aspecto que Campos defende. “É como no desporto, alguns alunos têm mais aptidão. Contudo, dá para trabalhar com todos.”
Formação
Com o retorno do ensino de música, os professores acreditam que a escola vai cumprir o objectivo da formação integral. O vice-coordenador do curso de Música da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Rogério de Brito Pergolb, afirma que sem o ensino formal da música o aluno acaba aceitando pacificamente tudo o que os media lhe oferecem.
O director do conservatório municipal de música de Ponta Grossa, Jairo Ferreira, acrescenta que a aprendizagem da música oferece disciplina e concentração. “A música faz parte da formação do ser humano. Hoje, o Brasil é carente de ética e disciplina e eu acho que o ensino da música tem muito a contribuir”, opina.
Fonte: Gazeta do Povo – 11/07/2010







