O pesquisador David Nicholas, da Universidade College London, avaliou a capacidade de 100 voluntários e pediu para que respondessem a uma série de questões a partir da navegação na internet.
Os primeiros resultados mostraram que aqueles com idades entre 12 e 18 anos gastam menos tempo na procura de informação antes de darem a resposta do que os voluntários mais velhos. Em média, este grupo de 12 a 18 anos respondeu a uma pergunta depois de aceder a metade do número de sites e gastar 1/6 do tempo estudando a informação, quando comparado com o grupo mais velho.
Os adolescentes que cresceram no mundo da web destacaram-se na realização de tarefas múltiplas. Os voluntários mais jovens – nascidos depois de 1993 – também consultaram mais as respostas dos amigos, em vez de procurarem as suas próprias informações, e deram respostas mais incompletas. Os mais novos também usaram a internet de uma maneira diferente dos mais velhos: navegaram por um maior número de sites e raramente voltavam para uma mesma página duas vezes.
“A maior surpresa foi que os jovens pareciam estar saltando na web. Eles entravam em sites, olhavam uma ou duas páginas, e continuavam em frente. Ninguém pareceu dedicar um tempo maior a qualquer assunto”, diz Dave Nicholas.
Esse novo modo de pensar estaria associado a uma capacidade menor de lidar com disciplinas lineares, como leitura e escrita, porque as mentes dos jovens estariam remodeladas para pensar de uma maneira diferente.
“Está claro que, para o bem ou para o mal, essa nova geração está a ser remodelada pela web“, garante o psicólogo Aleks Krotoski, ligado ao estudo.
O cientista político David Runciman, da Universidade de Cambridge, conta a sua experiência em sala de aula:
“Todos os alunos no primeiro dia de aula perguntam: ‘o que teremos que ler?’. Quando digo que será um livro, todos reclamam, como se não fizessem isso há dez anos. Para logo depois perguntarem: ‘De quantas páginas?’.
Fonte: Globo – 11/02/2010[textads]







