Um estudo português sobre os benefícios de corrigir a forma como um bebé «pega» na mama da mãe quando está a ser amamentado acaba de ser distinguido em Espanha como o melhor sobre a temática do aleitamento materno, refere a Lusa. O trabalho foi premiado no V Congresso Espanhol de Aleitamento Materno, que decorreu este mês em Múrcia com mais de 700 participantes de vários países.
O estudo conclui que a correcção da pega do bebé à mama na primeira mamada aumenta significativamente a duração do aleitamento materno, disse a principal autora, Adriana Pereira. A investigação envolveu 60 pares de mães e respectivos bebés da região do Vale do Ave, tendo sido feita a observação e avaliação da primeira mamada logo após o parto.
Os bebés foram divididos em dois grupos: num deles uma enfermeira intervinha para corrigir a pega sempre que o bebé apresentava uma ou mais dificuldades; no outro, que serviu de comparação, não havia qualquer intervenção, seguindo-se as rotinas do serviço.
Passados 6 meses, os bebés com a primeira pega correcta mamaram em média 157 dias, em comparação com apenas 15 dias no caso de pega incorrecta; ou seja, os primeiros mamaram em exclusivo 11 vezes mais dias do que os do outro grupo.
Esse êxito «é benéfico não só para a saúde da mãe e do bebé, como para a família, a sociedade e o meio ambiente, segundo atestam todos os estudos científicos até agora realizados», sublinhou.
Nesse sentido, a autora considera muito importante que as mães conheçam e saibam identificar os sinais de pega correcta para ajudarem os próprios bebés. «Às vezes as mães não sabem sequer se o bebé está a mamar, ou pensam que está, mas de maneira incorrecta», afirmou.
Adriana Pereira explicou que «o bebé deve ficar com a boca bem aberta quando está a mamar, com o lábio inferior virado para fora e com o queixo a tocar na mama». Além disso, a auréola (parte escura da mama) «deve ver-se mais acima da boca do que abaixo, e habitualmente as bochechas ficam arredondadas e não chupadas para dentro».
O estudo constatou que 50% dos bebés da amostra teve dificuldade na pega durante a primeira mamada, um problema facilmente corrigível através da intervenção da mãe. Por isso, o estudo recomenda a intervenção dos profissionais de saúde ao nível dos Cuidados de Saúde Pré-Natais para ensinar às mães a técnica correcta da amamentação e os sinais identificadores da pega correcta.
O estudo, feito no âmbito do doutoramento de Adriana Pereira em Ciência Biomédicas pela Universidade do Porto, em 2005, está publicado num livro intitulado «Aleitamento materno – a importância da correcção da pega no processo da amamentação – resultados de um estudo experimental”, editado pela Lusociência em 2006.
Adriana Pereira é membro fundador do Comité Nacional para o Aleitamento Materno e formadora nesta área para a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Unicef.
Fonte: TVI24 – 22/03/2009







