A dislexia não é uma doença, mas uma dificuldade de aprendizagem que pode ser superada com uma intervenção estruturada, de modo a que crianças disléxicas superem as dificuldades manifestadas ao nível da leitura e da escrita. Na sequência dessa intervenção, a dislexia pode ser ultrapassada, pelo que as crianças e jovens podem vir a ter uma aprendizagem perfeitamente normal.
A certeza é de Nuno Machado, um investigador albicastrense da área da Neuropsicologia, que acaba de apresentar e publicar um artigo científico sobre a temática, no I Congresso Internacional de Animação Sociocultural e Necessidades Educativas Especiais, que decorreu, a 16 e 17 de Abril, em Chaves.
No artigo, aquele investigador, que está a terminar o Doutoramento na Universidade de Salamanca, aborda a dislexia a partir das neurociências da conduta, pois considera que “ao termos conhecimento do funcionamento do cérebro, é possível trabalhar com a criança disléxica, no sentido de melhorar o seu handicap [dificuldade], de forma a ter uma vida escolar e social melhor”.
Nuno Machado defende que os professores deveriam ter formação na área das neurociências, que considera transversal às diferentes disciplinas, pois essa seria a forma de “poderem perceber o que a criança tem efectivamente”. Essa seria uma possibilidade para iniciar uma intervenção estruturada.
“Deveria haver uma intervenção estruturada para perceber o tipo de dislexia que a criança tem e adaptar essa intervenção ao seu meio ambiente, pois há factores genéticos, neurocognitivos e sociais que devem ser conhecidos para estruturar uma intervenção”.
O artigo apresentado é assinado por Nuno Machado, mas também por Manuel Joaquim Loureiro, da Universidade da Beira Interior, além das investigadoras espanholas Valentina Ladera Fernandez e Maria Victoria Perea Bartolomé, da Universidade de Salamanca. O objectivo do trabalho passa por promover o debate científico em torno da dislexia, de forma a definir programas de promoção para uma melhor qualidade de vida da criança disléxica. Um aspecto em que o apoio à família da criança disléxica pode ser também decisivo, de forma a desenvolver a auto-estima da criança e a gerar energia para superar as dificuldades diárias, designadamente em termos escolares.
“É preciso investir sempre na criança e nunca a deixar sozinha, como sucede muitas vezes. A criança disléxica quer sentir-se igual às outras, embora tenha dificuldades na leitura e na escrita. A nossa ideia passa por partir de uma intervenção na sala de aula para uma intervenção mais globalizante”, refere Nuno Machado. De caminho, adianta que os esforços da criança disléxica devem ser recompensados, pois esse será o caminho para que ela se sinta bem, para que se sinta igual num mundo de diferentes.
Fonte: Reconquista – 30/04/2010







