Para as crianças, especialmente por volta dos quatro anos, o conceito de tempo depende daquilo que lhes interessa alcançar, segundo um estudo, publicado no Cognitive Science, levado a cabo por Daniel Casasanto, psicólogo do Max Planck Institute for Psycholinguistics, em Nijmegen (Holanda) e os seus colegas.
Com essa idade, os miúdos já demarcam o tempo, mas segundo distâncias físicas. Conceitos abstractos de como o tempo funciona é que originam as percepções e comportamentos das crianças e é assim que estas consideram que o mundo real funciona.
“Verificamos que as representações do tempo dependem do espaço, tanto aos 4 como aos 10 anos, mesmo os mais pequenos, que têm muito pouca experiência no que diz respeito ao uso de metáforas ligadas ao tempo”, refere Casasanto.
Com dez anos, a criança já ouviu metáforas espaciais para definir a duração de um determinado período, como “um longo teste” ou “adiar um compromisso”. O psicólogo explica o tempo estimado pelos adultos através de duas linhas, em computador, que se expandem com um comprimento diferente, mas durante o mesmo período de tempo. Para os voluntários, se duas linhas têm um comprimento diferente e uma é mais curta é porque houve menos movimento.
No entanto, o tempo não interfere com a distância estimada. Para o estudo, a equipa de investigação recrutou 99 alunos de jardins infantis e escolas primárias, em Thessaloniki, na Grécia e o grupo de Casasanto confirmou que as crianças, independentemente das idades (entre os 3 e os 10), conseguiam identificar a linha mais longa no ecrã do computador e determinar em simultâneo quais eram os bonecos que pulavam mais.
A corrida dos caracóis
Cada criança viu três filmes diferentes que mostravam pares de caracóis às cores, vermelhos e verdes, a fazer uma corrida, da esquerda para a direita, em linhas paralelas. Os bichos caminhavam a uma distância diferente, durante o mesmo espaço de tempo ou à mesma distância demorando períodos diferentes.
Para as crianças, em todas as idades, o tempo que os caracóis demoraram dependeu da distância percorrida, quando tentavam estimar quanto tempo é que cada animal levava a chegar ao destino. Por exemplo, para os voluntários, um bicho que rastejou mais rapidamente do que o seu adversário, durante quatro segundos, era aquele que tinha andado mais ou mais tempo.
Casasanto ressalvou ainda que a língua nativa dos intervenientes era grego, ou seja, um idioma em que não se usam referências ao tempo com palavras ligadas à distância; portanto, não houve a possibilidade de se estabelecer metáforas confusas.
Fonte: Ciência Hoje – 26/01/2010

- No Text AD Link within the last days, you can buy the advertising link!
- Buy The AD link







